“Eu sou atlântica” – Beatriz Nascimento

beatrizA historiadora, ativista, poeta e intelectual brasileira Maria Beatriz Nascimento é uma leitura fundamental para se pensar as relações entre território, colonialidade, corpo, raça e gênero no Brasil. Apesar da perda que tivemos com a interrupção prematura de sua produção intelectual, em 1995, em função do seu assassinato ao defender uma amiga que sofria violência conjugal (um acontecimento com forte simbolismo para discutir as questões de raça/gênero), sua contribuição se constituí de uma originalidade única. Continuar lendo

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Indicação de leitura: “Calibã e a Bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva” de Silvia Federici

“Para ele, ela era uma mercadoria fragmentada cujos sentimentos e escolhas raras vezes eram consideradas: sua cabeça e seu coração estavam separados de suas costas e mãos, e divididas de seu útero e vagina. Suas costas e músculos eram forçados no trabalho do campo […,] às suas mãos se exigia cuidar e nutrir o homem branco […]. [S]ua vagina, usada para o prazer sexual dele, era a porta de acesso ao útero, lugar para os investimentos dele – o ato sexual era o investimento de capital, e o filho, a mais-valia acumulada. […]” Barbara Omolade, Heart of Darkness, 1983 (citação no livro: Federici, 2017, p.113).

Imagem do livro: “Uma “resmungona” é obrigada a desfilar pela comunidade usando a “rédea”, uma engenhoca de ferro empregada para punir mulheres de língua afiada. Significativamente, um aparato similar era usado por europeus traficantes de escravos na África para dominar os cativos e transportá-los a seus barcos. Gravura inglesa do século xvii” (Ibidem, p. 201)

Em julho de 2017 foi lançado a versão brasileira do livro “Caliban and the Witch: Women, the Body and Primitive Accumulation”, de Silvia Federici, original de 2004. A tradução para o português foi realizada por um coletivo de mulheres, o Coletivo Sycorax, que se formou originalmente com o objetivo de traduzir essa obra tão importante da bibliografia feminista e depois se firmou como coletivo editorial. O livro (que é lindo e cheio de imagens impressionantes) pode ser adquirido pela Editora Elefante, mas também está disponível de forma livre, sob direitos autorais da Creative Commons e pode ser acessado aqui. Continuar lendo

“Direito à Cidade: uma visão por gênero” publicação do IBDU

Neste ano de 2017, em comemoração ao dia internacional da mulher, o Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU) publicou um material destinado especialmente ao debate entre espaço urbano e gênero, a partir da reflexão de diferentes mulheres sobre a cidade, sob temas e abordagens múltiplas. Segundo a introdução, esta é uma obra que « reúne diversas vozes ativistas, com diferentes vivências e trajetórias que participam da luta pelos direitos das mulheres. As autoras convidadas são mulheres que ajudaram a construir o IBDU ao longo dos anos, como integrantes da diretoria, colaboradoras da equipe técnica, associadas e parceiras ». São textos curtos, em formato eletrônico (disponível aqui), que agregam de forma plural temas relacionados ao direito à cidade das mulheres como: mobilidade, habitação, raça, políticas públicas, movimentos sociais, etc.

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tese de livre docência “Lugar de mulher. Arquitetura e design modernos, gênero e domesticidade” de Silvana Rubino

silDia 19 de maio de 2017 às 9h acontecerá uma aula pública e às 14 hs a defesa de tese de livre docência da professora Silvana Rubino: “Lugar de mulher. Arquitetura e design modernos, gênero e domesticidade” (local: IFCH/UNICAMP, Sala da Congregação).

18301413_10211516151933650_2124317453314814759_nO trabalho se constitui como importante contribuição para produção acadêmica brasileira no campo dos estudos que relacionam gênero com a arquitetura e o urbanismo. A partir da análise entre a produção de arquitetas mulheres e o espaço doméstico a autora investiga como a presença feminina foi responsável por uma revolução simbólica no campo da produção do espaço. Para isso, recupera a história de como os saberes desenvolvidos na arquitetura, na engenharia e no design operam uma série de inovações nas quais as mulheres desenvolvem um importante papel, mas que, na maior parte das vezes, é apagado e invisibilizado.

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indicação de leitura: “Geografias Subversivas – discursos sobre espaço, gênero e sexualidades”

Este livro organizado pela geógrafa Joseli Maria Silva, com apresentação de Roberto Lobato Corrêa e prefácio de Maria Dolors Garcia-Ramon, mostra a capacidade de um grupo de pesquisa brasileiro, sediado em uma universidade ‘periférica’ (Universidade Estadual de Ponta Grossa), em se articular internacionalmente junto à Rede de Estudos de Geografia e Gênero da América Latina (REGGAL), e se tornar protagonista do debate de gênero e espaço.

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