Representatividade importa: “Se somos maioria mulheres nos cursos de AU porque na história e nos espaços de poder só vemos arquitetos homens (brancos)?”

Como já temos publicado em nossa página, estamos vivendo uma nova onda feminista frente a uma também nova onda conservadora, não só no Brasil, como em diversos outros países da América Latina, Europa e, notadamente, os EUA. Felizmente, esse movimento tem influenciado nosso campo, da arquitetura e urbanismo (AU). Na academia, não só pesquisas, mas em diversos debates têm sido realizados por estudantes e professoras(es) com intuito de ampliar cada vez mais a percepção da importância da perspectiva de gênero.

Nesse sentido, que semana passada conseguimos dedicar um dia inteiro da II SEMAU – Semana de Arquitetura e Urbanismo da Unigranrio – de mesas e uma oficina sobre as mulheres. Isso foi um ganho significativo e mérito do corpo docente da universidade. Pela manhã tivemos a mesa “Segregação territorial e as perspectivas da diversidade” com a participação da Clarisse Linke (The Institute for Transportation and Development Policy – ITDP), Isabela Rapizo (arquiteta pela FAU\UFRJ), Luiza Borges (mestranda IPPUR\UFRJ), Diana Helene e mediação de Rossana Tavares (ambas colunistas do blog FeminismUrbana, professoras da Unigranrio e organizadoras deste dia do evento junto com a professora Alline Serpa). A noite, assim como pela manhã, mais convidadas emocionaram e trouxeram provocações para alunas e alunos presentes na mesa “Resistência, Planejamento e inclusão nos diferentes cenários territoriais”: Fabrina Furtado (pós-doutoranda IPPUR\UFRJ), Tainá de Paula (mestre pela PROURB\UFRJ e candidata a conselheira federal CAU\RJ), Danielle Mozer (arquiteta pela Unigranrio), Rossana Tavares e mediação de Diana Helene. A tarde, oferecemos uma oficina de ideias de projeto de sala de apoio à amamentação na universidade para as trabalhadoras, professoras e alunas lactantes. 

 

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por uma cidade para mães e crianças

quadrinho da maravilhosa Thaiz Leão autora do “Mãe Solo”

Era carnaval e resolvemos sair com nosso bebê de quatro meses. No primeiro dia quem levou a bebéia amarrada no sling foi o pai dela. Foi muito divertido. Um sucesso! As pessoas não paravam de tirar foto da nossa joaninha. E elogiavam: “que legal trazer o bebê no carnaval!”, “assim já acostuma desde cedo”. Teve gente que até aproveitou pra paquerar o pai descolado “hum… a mãe também veio ou você está sozinho?”.

No outro dia eu coloquei nossa filha no carregador e fomos todos contentes pra rua. Mas a recepção foi COMPLETAMENTE – para não dizer violentamente – diferente. Nenhuma foto e nenhum elogio. Apenas olhares tortos que pareciam dizer “o que você esta fazendo com um bebê aqui?”. Algumas pessoas falaram “NOSSA!! é um bebê de verdade!?!?!” com cara de horrorizadas. Encontrei uma amiga que teve a coragem de dizer na minha cara o que os outros não disseram “você é louca de vir com ela aqui”. Foi horrível, fomos embora se sentindo os piores pais do mundo.

Depois, em casa, sentamos e pensamos. Os blocos eram praticamente iguais, no mesmo horário (de manhã cedinho) e na verdade o primeiro era bem maior que o segundo, o que, nesse caso, traria até mais riscos para o bebê. O que tinha mudado? QUEM carregava a criança. O pai era um cara divertido de sair com a filhinha pequena no carnaval, eu era uma mãe negligente. EU DEVERIA TER FICADO EM CASA.

Falta refletir mais sobre isso, mas essas experiências me fizeram pensar muito sobre o que é ser mãe e o sobre o que é ser pai em sua circulação no espaço urbano. Será que essa história também reflete como acontece a relação entre o espaço privado/espaço público e o lugar das mulheres/homens na cidade?

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