Grupo de Estudos – SOBRE PRESENÇAS E AUSÊNCIAS: O FEMININO NAS ARTES

Guestpost (autoras convidadas): Valéria Garcia e Helena Rizzatti

 

Tratar da ação feminina no espaço artístico é uma missão inquietante, desafiadora e apaixonante. Foi durante as aulas das disciplinas História da Arte I e II, no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Ribeirão Preto, que a docente Profa. Dra. Valéria Garcia notou como o tema instigava as alunas, e alguns alunos, e começou a desenhar o tema central do grupo de estudos.  A pergunta motivadora foi: qual o espaço da mulher no mundo das artes?

Continuar lendo

Anúncios

Defesa do mestrado “GÊNERO DA CIDADE EM DISPUTA: práticas artísticas como manifestação do dissenso”

Eu sou uma artista. Eu sou uma mulher. Eu sou uma esposa. Eu sou uma mãe. (Ordem aleatória). Eu faço um monte de lavagem, limpeza, cozinho, renovo, preservo, etc. Também, até agora, separadamente, eu “faço” arte. Agora, eu vou simplesmente fazer essas tarefas de manutenção diárias e trazê-las à consciência, exibindo-as como arte […] MEU TRABALHO SERÁ O TRABALHO. (Mierle UKELES, 1969)*

Segunda-feira próxima, dia 6 de maio de 2018 as 9h00, acontecerá a defesa da dissertação de mestrado “GÊNERO DA CIDADE EM DISPUTA: práticas artísticas como manifestação do dissenso”, de Carolina Gallo Garcia, pelo Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PROPUR-UFRGS).

A partir da obra de uma série de artistas feministas – em especial 4 mulheres que realizam intervenções na cidade e “que configuram casos representativos ao imaginarem novas formas de produzir espaço público”:  a) Mierle Ukeles (EUA, 1939), que questiona os papéis de gênero e a divisão sexual do trabalho a partir da transposição das atividades domésticas para o âmbito do espaço público; b) Adrian Piper (EUA, 1948), que realiza performances urbanas que questionam papéis de gênero e raça, a partir de sua própria inserção nesses papéis; c) Valie Export (Áustria, 1940), que evidencia as relações de gênero na configuração e nas escalas de desenho da cidade por meio de intervenções entre seu corpo e estruturas arquitetônico-urbanas, e que também realiza outras performances que debatem as relações de poder entre os gêneros como, por exemplo, uma intervenção na qual passeia com seu marido na coleira como um cachorro pelas ruas de Viena; d) Sophie Calle (França, 1953), que realiza deambulações, incursões e perseguições urbanas, que se relacionam com uma espécie de flânerie e voyerismo de atualização feminista –  a dissertação tensiona ideais relacionados a noção de espaço público e sua suposta constituição democrática, quando, na verdade, se constitui a partir de hierarquias de gênero, raça, entre outras.

* No original: “I am an artist. I am a woman. I am a wife. I am a mother. (Random order). I do a hell of a lot of washing, cleaning, cooking, renewing, supporting, preserving, etc. Also, up to now separately I “do” Art. Now, I will simply do these maintenance everyday things, and flush them up to consciousness, exhibit them, as Art. . . . MY WORKING WILL BE THE WORK”. (tradução da autora, In: GARCIA, 2018, p. 98).

Continuar lendo

Marielle vive na cidade e em nossos corações.

Faz um mês. Desde quarta-feira, dia 14 de março de de 2018, estamos enfrentando momentos muito difíceis, de dor, indignação e saudade. Marielle Franco foi covardemente tirada de nós. Sem saber ao certo como seguir perante a brutalidade, caminhamos, apoiando-se umas na outras e levantando os olhos a cada passo. Nos somamos no nosso luto, mas também na(s) nossa(s) luta(s). Não iremos deixar calar mais uma voz que se levantava pelas mulheres, pelas(os) pretas(os), pelas(os) faveladas(os), pelas lésbicas, pelas(os) bissexuais, pelas mães e por muitas(os) outras(os).

Somos muitas e cada vez maiores!

Continuar lendo

“As primeiras a serem expulsas são as prostitutas”

Gabriela Leite, prostituta, escritora e fundadora do movimento social de defesa dos direitos das trabalhadoras do sexo no Brasil, afirma, em uma entrevista de 2006 na revista Caros Amigos, que as primeiras pessoas a serem expulsas por processos de intervenções/renovações urbanas são as prostitutas (LEITE, 2006). De forma recorrente, prostitutas são alvo de processos de remoção e “limpeza”. A eliminação da prostituição aparenta ser uma estratégia precursora de abertura de caminhos para processos de revalorização imobiliária, marcados pela chamada “gentrificação”, na qual a principal característica é uma nova injeção de capital na área e a decorrente substituição de seus moradores/usuários por outros de maior renda. Para isso se efetivar, a violência contra a presença das prostitutas é aliada a processos também violentos de desconstrução dos seus espaços de atuação, como demolições e “emparedamentos”.

“Pistas del Baile”: série de fotografias da artista mexicana Teresa Margolles que retratam prostitutas sobre os escombros da demolição de antigas boates e locais de prostituição nos quais trabalhavam em Ciudad Juárez , México: “Desde los años noventa, sucesivos gobiernos han intentado recuperar su centro histórico llevando a cabo una limpieza social y desplazando, entre otros, a las trabajadoras sexuales que se desenvuelven en la zona. Casas y negocios han sido cerrados y demolidos a lo largo de los años, entre ellos numerosos clubes nocturnos y discotecas, debido a la guerra entre carteles de droga, a decisiones gubernamentales y a la especulación inmobiliaria (Artishock, Jun 9, 2017)”

Continuar lendo

“Eu quero sair daqui!”: cenas fantasmagóricas do espaço doméstico

Birgit Jürgenssen, “Housewives’ Kitchen Apron”, 1975

Birgit Jürgenssen, “Eu quero sair daqui!”, 1976

Vestida de um avental típico das donas-de-casa e prensada por trás de uma porta envidraçada, a artista austríaca Birgit Jürgenssen (1949-2003) escreve no vidro Ich möchte hier raus!: “Eu quero sair daqui!”. A obra, de 1976, é dos trabalhos desta artista feminista de vanguarda que, por meio de fotografias, desenhos, pinturas e objetos debate a situação da mulher em sua época, situação esta que continua assustadoramente atual. Birgit se especializou em uma arte corporal feminina por meio de auto-retratos e séries fotográficas e/ou desenhadas, que mostram uma seqüência de eventos relacionados à vida social diária de uma mulher, em uma atmosfera de preconceito, medo e reclusão. Continuar lendo

Campanha #MEUCORPONÃOÉPÚBLICO.

Um grupo de publicitárias mulheres criaram uma campanha contra a violência e o assédio sofridos pelas mulheres em sua circulação pela cidade, sobretudo no transporte público. Tudo começou em um grupo fechado de Facebook, criado em 2016 pela publicitária Ana Mattioni, chamado Mad Women, que inicialmente tinha o objetivo de unir mulheres que trabalham com criação e atualmente conta com 1.800 profissionais “empenhadas em transformar o mercado e, claro, a sociedade” (segundo divulgação do grupo).

Depois do acontecimento do dia 29 de agosto, quando um homem ejaculou em uma passageira de ônibus e não foi penalizado pelo juiz, as mulheres do Mad Women resolveram unir seus talentos de criação para realizar uma série de pôsteres com fotos, desenhos e frases a partir da hashtag da campanha #MEUCORPONÃOÉPÚBLICO.

Foram criados um “Tumblr” que reúne todas as artes de forma livre e em alta resolução para que qualquer pessoa possa baixar, imprimir e espalhar por aí: https://meu-corpo-nao-e-publico.tumblr.com/; e um projeto de financiamento coletivo no catarse para a impressão de adesivos e posters adesivos para serem espalhados pela cidade com a campanha: https://www.catarse.me/meucorponaoepublico_d379.

Continuar lendo

Seminário Internacional Fazendo Gênero 2017

Marcha Internacional “Mundos de Mulheres por Direitos” (foto: Feminismurbana)

Na semana de 30/07 a 04/08 aconteceu no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, o 13º Congresso Mundos de Mulheres (MM) conjuntamente ao Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 (FG), com o tema “Transformações, Conexões, Deslocamentos”. Foi a primeira vez que o MM foi realizado na América do Sul. Os dois eventos integrados reuniram cerca de 10 mil mulheres* de todo Brasil e de diferentes países do mundo, unindo academia e movimentos sociais em um espaço de diálogo sobre gênero e suas interseções entre classe, raça, colonialidade, etnia, origem, opção sexual, etc.

Continuar lendo