A ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também? – oficina na semana PUR

No dia 13 de dezembro, quarta-feira, estaremos realizando uma oficina aberta na semana do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Semana PUR do IPPUR/UFRJ). Intitulada “a ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também?”, a ideia é pautar e debater juntas uma proposta para inserção dos debates intersecionais entre classe, raça e gênero dentro do instituto, tanto na sua Pós-Graduação em PUR quanto na graduação, o curso Gestão Pública para o Desenvolvimento Social – GPDES.

Historicamente a ciência moderna – dita “neutra”, “objetiva”, “racional” – negou às (nós) mulheres, em especial às mulheres negras, a possibilidade de estar nos espaços de produção e disseminação do saber e de elaborar e compartilhar conhecimentos de relevância para as suas (nossas) vidas e lutas. Esta ciência hegemônica se baseia na ideia da existência de UM sujeito universal, que na verdade é um homem branco, heterossexual e ocidental. Além disso, ainda observamos no ensino, pesquisa e extensão- e inclusive no planejamento urbano e regional – a predominância da razão dualista, baseada em uma lógica binária, de pares opostos e hierarquizados – sujeito/objeto, mente/corpo, cultura/natureza, razão/emoção – construída a partir das diferenças de sexos e desigualdades de gênero.

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“Eu sou atlântica” – Beatriz Nascimento

beatrizA historiadora, ativista, poeta e intelectual brasileira Maria Beatriz Nascimento é uma leitura fundamental para se pensar as relações entre território, colonialidade, corpo, raça e gênero no Brasil. Apesar da perda que tivemos com a interrupção prematura de sua produção intelectual, em 1995, em função do seu assassinato ao defender uma amiga que sofria violência conjugal (um acontecimento com forte simbolismo para discutir as questões de raça/gênero), sua contribuição se constituí de uma originalidade única. Continuar lendo

O Coletivo “Charlotte Perriand”

Guestpost (autoras convidadas): texto do Coletivo Charlotte Perriand (coletivo de estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP)
Charlotte Perriand em seu apartamento

Charlotte Perriand em seu apartamento

O Coletivo Charlotte Perriand surgiu no ano de 2016 em meio aos três meses de greve geral da universidade. Ficamos bastante inspiradas por duas professoras nossas, a Silvana Rubino e a Sabrina Fontenele, que trouxeram a discussão de gênero e domesticidade para o curso de arquitetura e urbanismo. Depois de alguns encontros entre as mulheres do curso começamos a nos questionar quantas vezes usamos referências de arquitetas mulheres nos nossos projetos, quantas vezes referências femininas foram utilizadas como bibliografia no programa das disciplinas, onde estão as mulheres no mercado de trabalho, já que a maioria no curso é de mulheres, ou quantas figuras femininas foram contempladas pelos prêmios que tanto reconhecemos.
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Perspectivas da inclusão das questões de gênero no ensino de Arquitetura e Urbanismo (apresentação no seminário “A Dimensão Social do Profissional” na FAU-UNC)

Guestpost (autora convidada): texto de Camilla M. Sumi (Arquiteta, Urbanista e Pesquisadora – PATC – FEC | Habitares | UNICAMP)

No próximo dia 26/10 haverá a apresentação do trabalho Gênero no Ensino de Arquitetura e Urbanismo: Aproximações, desenvolvido pela pesquisadora Camilla M. Sumi e a professora Silvia A. Mikami G. Pina, ambas do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). A apresentação irá compor uma das mesas do Seminário Internacional “A Dimensão Social do Profissional – Após 47 anos Taller Total, na FAU-UNC (1970-1975)”, cujo o objetivo é proporcionar o intercâmbio de experiências da relação entre formação e prática profissional em países da América Latina, com ênfase na relação ensino-sociedade e práticas de extensão. O evento, como um todo, ocorrerá entre os dias 25 a 28 de Outubro no Complexo Educacional FIAM/FAAM – FMU e no Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP), em São Paulo.

A discussão do trabalho junto ao eixo temático sobre a formação universitária e o compromisso com os problemas sociais, políticos, econômicos e culturais da região, visa demonstrar a importância da inclusão das questões relativas à gênero nos processos educativos e práticas do ensino de Arquitetura e Urbanismo frente às demandas sociais, ausência ou delonga de políticas públicas urbanas, e as próprias adversidades que começam no ensino, perpassam a carreira e estendem-se ao cotidiano urbano. Para tanto, será apresentado o levantamento de projetos políticos pedagógicos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, produzidos nas duas últimas décadas no contexto latino-americano, os quais já incluem de maneira afirmativa, seja por disciplinas ou outras atividades, as questões de gênero e outras que as fazem interface, como as étnicas-raciais e de classe.

Exemplo das atividades realizadas na disciplina Diseño y Estudios de Género da Facultad de Arquitectura Diseño y Urbanismo (FADU) em Buenos Aires. Fonte: Diseño y Estudios de Género – Cátedra Flesler, FADU-UBA, 2017. Disponível em: <https://www.facebook.com/dyeg.fadu/&gt;. Acessado em: 16/08/2017.

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Provoca.ações 3 sobre a cidade na perspectiva das mulheres – na Casa dos Estudos Urbanos

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Hoje, segunda-feira, participaremos do Provoca.Ações em uma conversa sobre a cidade e seus espaços segundo a perspectiva das desigualdades de gênero. Estamos com grande expectativa, já que provavelmente dialogaremos com um público pouco habituado ao debate feminista. Além disso, teremos a oportunidade de estar com a Tainá de Paula que concorre como conselheira federal na Chapa 3 do CAU/RJ, trazendo essa pauta de forma marcante na sua campanha. Vamos juntas!

Às 18h30 na Casa de Estudos Urbanos – Rua da Glória, 18, Glória – Rio de Janeiro.

Seminário Internacional Fazendo Gênero 2017

Marcha Internacional “Mundos de Mulheres por Direitos” (foto: Feminismurbana)

Na semana de 30/07 a 04/08 aconteceu no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, o 13º Congresso Mundos de Mulheres (MM) conjuntamente ao Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 (FG), com o tema “Transformações, Conexões, Deslocamentos”. Foi a primeira vez que o MM foi realizado na América do Sul. Os dois eventos integrados reuniram cerca de 10 mil mulheres* de todo Brasil e de diferentes países do mundo, unindo academia e movimentos sociais em um espaço de diálogo sobre gênero e suas interseções entre classe, raça, colonialidade, etnia, origem, opção sexual, etc.

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convite palestra: “Mulher e Cidade na Discussão sobre a Política Urbana: uma relação possível?”

20746183_1927127124211817_6281932190824210170_oGuestpost (autoras convidadas): texto de Doraci Lopes e Laura Bueno

A palestra visa problematizar a relação mulher e direito a cidade a partir de dados oficiais e documentos coletivos de movimentos feministas de Campinas. Especialmente o aumento da violência, da feminização da pobreza, o modo de vida provisório de moradia e trabalho, problemas que tem sido ignorados pelas decisões de política urbana e planejamento. A atividade, aberta ao público, está inserida em disciplina do Programa de Pós Graduação em Urbanismo, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a percepção do espaço urbano pela população, em suas clivagens de classe, gênero, étnicas e culturais. Pesquisadores, profissionais, gestores públicos, prestadores de serviços urbanos consideram essas clivagens ? Pesquisadores e professores que os formam e formaram devemos colocar em nossas pautas esses conteúdos emergentes.

Dia 22 de agosto de 2017, 16hs na PUC – Campinas.