Jane Jacobs: uma mãe urbanista

jacobsDentre seus diversos ativismos contra projetos de intervenção urbana que arrasavam comunidades e bairros com projetos modernistas, sua maior batalha foi uma luta contra o projeto Lower Manhattan Expressway, de Robert Moses que destruiria o entorno do seu bairro em Nova York, na década de 1960. Em uma das audiências sobre a realização da intervenção urbana de Moses, as argumentações contra o projeto feitas por Jane Jacobs (1916-2006) foram desqualificadas pelo urbanista modernista acusando-a de “MÃE”:

“Não há ninguém contra isso [o “Lower Manhattan Expressway”] – NINGUÉM, NINGUÉM, NINGUÉM, a não ser um monte de … um monte de MÃES!” – Fala de Robert Moses, em uma audiência pública sobre seu projeto urbano.

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Defesa do mestrado “GÊNERO DA CIDADE EM DISPUTA: práticas artísticas como manifestação do dissenso”

Eu sou uma artista. Eu sou uma mulher. Eu sou uma esposa. Eu sou uma mãe. (Ordem aleatória). Eu faço um monte de lavagem, limpeza, cozinho, renovo, preservo, etc. Também, até agora, separadamente, eu “faço” arte. Agora, eu vou simplesmente fazer essas tarefas de manutenção diárias e trazê-las à consciência, exibindo-as como arte […] MEU TRABALHO SERÁ O TRABALHO. (Mierle UKELES, 1969)*

Segunda-feira próxima, dia 6 de maio de 2018 as 9h00, acontecerá a defesa da dissertação de mestrado “GÊNERO DA CIDADE EM DISPUTA: práticas artísticas como manifestação do dissenso”, de Carolina Gallo Garcia, pelo Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PROPUR-UFRGS).

A partir da obra de uma série de artistas feministas – em especial 4 mulheres que realizam intervenções na cidade e “que configuram casos representativos ao imaginarem novas formas de produzir espaço público”:  a) Mierle Ukeles (EUA, 1939), que questiona os papéis de gênero e a divisão sexual do trabalho a partir da transposição das atividades domésticas para o âmbito do espaço público; b) Adrian Piper (EUA, 1948), que realiza performances urbanas que questionam papéis de gênero e raça, a partir de sua própria inserção nesses papéis; c) Valie Export (Áustria, 1940), que evidencia as relações de gênero na configuração e nas escalas de desenho da cidade por meio de intervenções entre seu corpo e estruturas arquitetônico-urbanas, e que também realiza outras performances que debatem as relações de poder entre os gêneros como, por exemplo, uma intervenção na qual passeia com seu marido na coleira como um cachorro pelas ruas de Viena; d) Sophie Calle (França, 1953), que realiza deambulações, incursões e perseguições urbanas, que se relacionam com uma espécie de flânerie e voyerismo de atualização feminista –  a dissertação tensiona ideais relacionados a noção de espaço público e sua suposta constituição democrática, quando, na verdade, se constitui a partir de hierarquias de gênero, raça, entre outras.

* No original: “I am an artist. I am a woman. I am a wife. I am a mother. (Random order). I do a hell of a lot of washing, cleaning, cooking, renewing, supporting, preserving, etc. Also, up to now separately I “do” Art. Now, I will simply do these maintenance everyday things, and flush them up to consciousness, exhibit them, as Art. . . . MY WORKING WILL BE THE WORK”. (tradução da autora, In: GARCIA, 2018, p. 98).

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Marielle vive na cidade e em nossos corações.

Faz um mês. Desde quarta-feira, dia 14 de março de de 2018, estamos enfrentando momentos muito difíceis, de dor, indignação e saudade. Marielle Franco foi covardemente tirada de nós. Sem saber ao certo como seguir perante a brutalidade, caminhamos, apoiando-se umas na outras e levantando os olhos a cada passo. Nos somamos no nosso luto, mas também na(s) nossa(s) luta(s). Não iremos deixar calar mais uma voz que se levantava pelas mulheres, pelas(os) pretas(os), pelas(os) faveladas(os), pelas lésbicas, pelas(os) bissexuais, pelas mães e por muitas(os) outras(os).

Somos muitas e cada vez maiores!

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“Perspectivas de gênero no planejamento urbano” – Ana Falú

11174260_10204124563131452_4654102299804784068_oA militante feminista Ana Falú é uma das maiores referencias da América Latina nos estudos de Cidade e Gênero. Arquiteta e urbanista, se formou na Universidade Nacional de Tucumán, na Argentina; e fez doutorado em habitação social na Universidade Técnica de Delft, na Holanda. Seu campo de pesquisa e ação está no projeto e nas políticas urbanas e habitacionais com perspectiva de gênero. É fundadora da “Red Mujer y Hábitat de América Latina”, de CISCSA, da “Articulación Feminista Marcosur”, entre outras instituições pelo direito das mulheres. Ela foi ainda coordenadora do UNIFEM (hoje conhecido como ONU Mulheres), primeiro como representante da Região Andina e mais tarde do Brasil e Países do Cone Sul. Em 2013, ganhou o prêmio “Trayectoria Feminista” na Argentina.

Atualmente Ana Falú é presidenta, professora e pesquisadora em arquitetura e urbanismo na Universidade Nacional de Córdoba e diretora do INVIHAB – Instituto de Pesquisa sobre Habitação e Habitat. Atua como especialista em gênero para a União Iberoamericana de Municipalistas. É coordenadora e fundadora do UNI Habitat – UNI Gender Hub (rede de pesquisadoras associadas a temática de gẽnero pela UNI Habitat). Ela também atua como professora de diferentes cursos de pós-graduação em Planejamento Integrado, Cidades e Gênero, em Roma, Santiago, Buenos Aires, Barcelona, ​​Delft, Alemanha e em mais de 10 universidades latino-americanas.

Reproduzimos abaixo um vídeo-palestra no qual ela debate o planejamento urbano a partir de uma perspectiva de gênero, com ênfase tanto no direito à cidade como em quem tem direito a planejar essa cidade. Isto é, de que forma se pode incluir as mulheres no debate urbano, incorporando propostas e experiências de políticas urbanas da América Latina. Infelizmente a palestra está em inglês. Por esse motivo apontamos algumas questões que ela levanta a seguir.  Continuar lendo

Defesa do mestrado “A Cidade Na Perspectiva Do Gênero: As Políticas Públicas Urbanas 1990-2015”

Começamos o ano animadas: divulgando essa dissertação de mestrado super importante que será defendida na pós graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP. Somos muitas e cada vez maiores ❤

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Guestpost (autora convidada): texto de Camilla M. Sumi (Arquiteta, Urbanista e Pesquisadora – PATC – FEC | Habitares | UNICAMP)

Cartaz de divulgação da defesa. Figura: top of the world, silk tapestry. Artista: Billie Zangewa, 2013.

No dia 27 de fevereiro, terça-feira, às 9h30 acontecerá a defesa de mestrado A Cidade Na Perspectiva Do Gênero: As Políticas Públicas Urbanas 1990-2015 da arquiteta urbanista Camilla M. Sumi.

A partir da organização da literatura que aborda gênero e cidade, a pesquisadora apresenta algumas questões do campo político e do direito à cidade para identificar a inclusão do gênero nas políticas públicas urbanas, na perspectiva das mulheres – entendidas como todas aquelas que se reconhecem como tal: mulheres cisgêneros e mulheres transexuais – sendo a cidade de São Paulo objeto do estudo. Continuar lendo

Nola Darling uma mulher resistindo ao machismo, ao racismo e a gentrificação do seu bairro natal

A nova série dirigida por Spike Lee “Ela quer tudo”, do NETFLIX, trás como personagem principal uma mulher incrível da qual acompanhamos a cada episódio sua luta para se tornar uma artista reconhecida e uma mulher sexualmente e afetivamente livre. Nola Darling é uma mulher negra crescida em Fort Greene, no Brooklyn, Nova York. O bairro não é apenas um pano de fundo da história, mas também, na minha opinião, o segundo personagem principal da trama. O diretor, também nascido no local, aprofunda neste seriado uma série de questões sobre o bairro, que já tratava em outras produções suas como o clássico “Faça a coisa certa” de 1989, por exemplo.

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A ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também? – oficina na semana PUR

No dia 13 de dezembro, quarta-feira, estaremos realizando uma oficina aberta na semana do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Semana PUR do IPPUR/UFRJ). Intitulada “a ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também?”, a ideia é pautar e debater juntas uma proposta para inserção dos debates intersecionais entre classe, raça e gênero dentro do instituto, tanto na sua Pós-Graduação em PUR quanto na graduação, o curso Gestão Pública para o Desenvolvimento Social – GPDES.

Historicamente a ciência moderna – dita “neutra”, “objetiva”, “racional” – negou às (nós) mulheres, em especial às mulheres negras, a possibilidade de estar nos espaços de produção e disseminação do saber e de elaborar e compartilhar conhecimentos de relevância para as suas (nossas) vidas e lutas. Esta ciência hegemônica se baseia na ideia da existência de UM sujeito universal, que na verdade é um homem branco, heterossexual e ocidental. Além disso, ainda observamos no ensino, pesquisa e extensão- e inclusive no planejamento urbano e regional – a predominância da razão dualista, baseada em uma lógica binária, de pares opostos e hierarquizados – sujeito/objeto, mente/corpo, cultura/natureza, razão/emoção – construída a partir das diferenças de sexos e desigualdades de gênero.

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