Roda de conversa: Gênero e Cidade na UFAL

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No dia 12/07/2018 (quinta-feira) acontecerá a roda de conversa “GÊNERO E CIDADE”, evento do Arquitetura e Prosa ☕ , no pátio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas – UFAL, às 13h30.

Convidadas do evento mesa:

– Prof. Dra. Diana Helene (UNIGRANRIO), Arquiteta e Urbanista, especialista na área de Estudos Urbanos, Direito à Cidade e Gênero (e blogueira da Feminismurbana);

– Júlia Lyra, recém formada em Arquitetura e Urbanismo pela UFAL com estudos na área de Planejamento Urbano e Gênero (link para seu trabalho final de graduação “(Im)permanências e (in)seguranças da mulher na cidade: Pensando os espaços públicos a partir de uma perspectiva feminista no bairro da Jatiúca-Maceió/AL”).

Saiba mais acessando o instagram (@petarqufal), onde se encontram mais informações sobre o evento e as convidadas.

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Defesa do mestrado “GÊNERO DA CIDADE EM DISPUTA: práticas artísticas como manifestação do dissenso”

Eu sou uma artista. Eu sou uma mulher. Eu sou uma esposa. Eu sou uma mãe. (Ordem aleatória). Eu faço um monte de lavagem, limpeza, cozinho, renovo, preservo, etc. Também, até agora, separadamente, eu “faço” arte. Agora, eu vou simplesmente fazer essas tarefas de manutenção diárias e trazê-las à consciência, exibindo-as como arte […] MEU TRABALHO SERÁ O TRABALHO. (Mierle UKELES, 1969)*

Segunda-feira próxima, dia 6 de maio de 2018 as 9h00, acontecerá a defesa da dissertação de mestrado “GÊNERO DA CIDADE EM DISPUTA: práticas artísticas como manifestação do dissenso”, de Carolina Gallo Garcia, pelo Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PROPUR-UFRGS).

A partir da obra de uma série de artistas feministas – em especial 4 mulheres que realizam intervenções na cidade e “que configuram casos representativos ao imaginarem novas formas de produzir espaço público”:  a) Mierle Ukeles (EUA, 1939), que questiona os papéis de gênero e a divisão sexual do trabalho a partir da transposição das atividades domésticas para o âmbito do espaço público; b) Adrian Piper (EUA, 1948), que realiza performances urbanas que questionam papéis de gênero e raça, a partir de sua própria inserção nesses papéis; c) Valie Export (Áustria, 1940), que evidencia as relações de gênero na configuração e nas escalas de desenho da cidade por meio de intervenções entre seu corpo e estruturas arquitetônico-urbanas, e que também realiza outras performances que debatem as relações de poder entre os gêneros como, por exemplo, uma intervenção na qual passeia com seu marido na coleira como um cachorro pelas ruas de Viena; d) Sophie Calle (França, 1953), que realiza deambulações, incursões e perseguições urbanas, que se relacionam com uma espécie de flânerie e voyerismo de atualização feminista –  a dissertação tensiona ideais relacionados a noção de espaço público e sua suposta constituição democrática, quando, na verdade, se constitui a partir de hierarquias de gênero, raça, entre outras.

* No original: “I am an artist. I am a woman. I am a wife. I am a mother. (Random order). I do a hell of a lot of washing, cleaning, cooking, renewing, supporting, preserving, etc. Also, up to now separately I “do” Art. Now, I will simply do these maintenance everyday things, and flush them up to consciousness, exhibit them, as Art. . . . MY WORKING WILL BE THE WORK”. (tradução da autora, In: GARCIA, 2018, p. 98).

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Debate: Espaços generificados e a resistência feminina na cidade

30743407_951308308361568_8405558178627977216_nNum contexto de discussões sobre a questão de gênero nos espaços urbanos, o LabCidade (FAUUSP) convida a urbanista Rossana Brandão Tavares, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), para um debate sobre “Espaços Generificados”. O termo nasceu de sua pesquisa sobre a apropriação do espaço pelas mulheres no morro da Providência, na zona central do Rio de Janeiro, apresentada na tese “Indiferença à diferença: espaços urbanos de resistência na perspectiva das desigualdades de gênero”.
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“Eu, arquiteta, faço greve no 8 de março de 2018” por Zaida Muxi

Repost de texto de Zaida Muxi no blog Fundación Arquia (Tradução: Diana Helene).

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“Eu não quero que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas” Mary Wollstonecraft (1759-1797)

“Todas as desgraças do mundo provêm do esquecimento e do desprezo que até agora tem sido feito dos direitos naturais e essenciais de ser uma mulher” Flora Tristan (1803-1844)

8 de março1  é dia international das mulheres, na verdade da mulher, mas eu gosto de usar o plural, porque somos muitas e diversas, e, como vocês sabem existe uma convocatória mundial dos movimentos feministas para nós pararmos de trabalhar nesse dia, tanto na esfera do cuidado ou da reprodução como na esfera do trabalho remunerado ou da produção.

Sim, vou escrever sobre arquitetura e mulheres e porque estar em greve. Muitas pessoas em nosso grupo profissional pensam não haver diferenças entre homens e mulheres e, portanto, não seria necessário falar de gênero ou de mulheres, nem seria necessário, portanto, entrar em greve; mas eu considero que sim, é necessário, e tentarei dar alguns motivos.

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Defesa do mestrado “A Cidade Na Perspectiva Do Gênero: As Políticas Públicas Urbanas 1990-2015”

Começamos o ano animadas: divulgando essa dissertação de mestrado super importante que será defendida na pós graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP. Somos muitas e cada vez maiores ❤

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Guestpost (autora convidada): texto de Camilla M. Sumi (Arquiteta, Urbanista e Pesquisadora – PATC – FEC | Habitares | UNICAMP)

Cartaz de divulgação da defesa. Figura: top of the world, silk tapestry. Artista: Billie Zangewa, 2013.

No dia 27 de fevereiro, terça-feira, às 9h30 acontecerá a defesa de mestrado A Cidade Na Perspectiva Do Gênero: As Políticas Públicas Urbanas 1990-2015 da arquiteta urbanista Camilla M. Sumi.

A partir da organização da literatura que aborda gênero e cidade, a pesquisadora apresenta algumas questões do campo político e do direito à cidade para identificar a inclusão do gênero nas políticas públicas urbanas, na perspectiva das mulheres – entendidas como todas aquelas que se reconhecem como tal: mulheres cisgêneros e mulheres transexuais – sendo a cidade de São Paulo objeto do estudo. Continuar lendo

A ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também? – oficina na semana PUR

No dia 13 de dezembro, quarta-feira, estaremos realizando uma oficina aberta na semana do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Semana PUR do IPPUR/UFRJ). Intitulada “a ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também?”, a ideia é pautar e debater juntas uma proposta para inserção dos debates intersecionais entre classe, raça e gênero dentro do instituto, tanto na sua Pós-Graduação em PUR quanto na graduação, o curso Gestão Pública para o Desenvolvimento Social – GPDES.

Historicamente a ciência moderna – dita “neutra”, “objetiva”, “racional” – negou às (nós) mulheres, em especial às mulheres negras, a possibilidade de estar nos espaços de produção e disseminação do saber e de elaborar e compartilhar conhecimentos de relevância para as suas (nossas) vidas e lutas. Esta ciência hegemônica se baseia na ideia da existência de UM sujeito universal, que na verdade é um homem branco, heterossexual e ocidental. Além disso, ainda observamos no ensino, pesquisa e extensão- e inclusive no planejamento urbano e regional – a predominância da razão dualista, baseada em uma lógica binária, de pares opostos e hierarquizados – sujeito/objeto, mente/corpo, cultura/natureza, razão/emoção – construída a partir das diferenças de sexos e desigualdades de gênero.

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“As primeiras a serem expulsas são as prostitutas”

Gabriela Leite, prostituta, escritora e fundadora do movimento social de defesa dos direitos das trabalhadoras do sexo no Brasil, afirma, em uma entrevista de 2006 na revista Caros Amigos, que as primeiras pessoas a serem expulsas por processos de intervenções/renovações urbanas são as prostitutas (LEITE, 2006). De forma recorrente, prostitutas são alvo de processos de remoção e “limpeza”. A eliminação da prostituição aparenta ser uma estratégia precursora de abertura de caminhos para processos de revalorização imobiliária, marcados pela chamada “gentrificação”, na qual a principal característica é uma nova injeção de capital na área e a decorrente substituição de seus moradores/usuários por outros de maior renda. Para isso se efetivar, a violência contra a presença das prostitutas é aliada a processos também violentos de desconstrução dos seus espaços de atuação, como demolições e “emparedamentos”.

“Pistas del Baile”: série de fotografias da artista mexicana Teresa Margolles que retratam prostitutas sobre os escombros da demolição de antigas boates e locais de prostituição nos quais trabalhavam em Ciudad Juárez , México: “Desde los años noventa, sucesivos gobiernos han intentado recuperar su centro histórico llevando a cabo una limpieza social y desplazando, entre otros, a las trabajadoras sexuales que se desenvuelven en la zona. Casas y negocios han sido cerrados y demolidos a lo largo de los años, entre ellos numerosos clubes nocturnos y discotecas, debido a la guerra entre carteles de droga, a decisiones gubernamentales y a la especulación inmobiliaria (Artishock, Jun 9, 2017)”

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