“Cidade e gênero: conceitos, teorias, políticas e práticas”, CURSO LIVRE na ESCOLA DA CIDADE – SP

190204_instafeed6.jpgO curso subsidiará uma reflexão crítica acerca de formas de planejamento contra hegemônicas, introduzindo conceitos, teorias e práticas no campo do planejamento urbano que incorporam gênero, entre outros marcadores sociais da diferença, como categoria de análise do território e base para a atividade planejadora.

O curso tem como objetivo:

– Apresentar os conceitos relativos à gênero como categoria de análise do território e para o planejamento urbano, considerando interseccionalidade ou a sobreposição de identidades sociais e sistemas relacionados de opressão, dominação ou discriminação – especialmente os marcadores sociais da diferença associados à esta abordagem como classe, raça, nacionalidade, sexualidade;

– Discutir abordagens teóricas do planejamento urbano e gênero internacionais e nacionais, versus abordagens totalizantes e universais, desenvolvendo análise crítica e explorando teorias contra hegemônicas recentes;

– Elaborar e refletir sobre os desafios da leitura do território e da prática do planejamento urbano, desde a concepção, gestão e implementação de políticas urbanas, considerando as diferenças de gênero e sociais.

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LabCidade realiza o seminário Cidade, Gênero, Interseccionalidades no Sesc-SP

REPOST do LABCIDADE – Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade – laboratório de pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo: http://www.labcidade.fau.usp.br
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Foto: Luenne Albuquerque

Embora o planejamento urbano no Brasil tenha avançado no debate acerca do direito à cidade e procurado construir processos democráticos de governança urbana, até agora, não foram adotadas práticas e políticas para o território considerando as diferenças e desigualdades estruturais para além das classes sociais.

É a partir dessa leitura de contexto que, desde 2016, o LabCidade FAUUSP desenvolve, sob coordenação da Profa. Paula Freire Santoro, uma agenda de pesquisa que busca investigar de que maneira as questões de gênero se manifestam no urbano, utilizando São Paulo como território de pesquisa.

Para colocar em debate e fazer convergir os trabalhos e conceitos que tem sido desenvolvidos acerca do tema, decidimos organizar o Seminário Cidade, Gênero e Interseccionalidades, que acontecerá em São Paulo entre 28 de janeiro e 1 de fevereiro de 2019, realizado pelo Centro de Pesquisa e Formação do SescVeja o evento no Facebook.

Uma das propostas é entender as questões de gênero como uma categoria de análise do território, considerando a interseccionalidade ou a sobreposição de identidades sociais e de sistemas de opressão, dominação ou discriminação – normalmente associados a diferenças de classe, raça, nacionalidade, sexualidade. Serão discutidas abordagens teóricas do planejamento urbano e gênero, com foco especial nas teorias contra-hegemônicas recentes.

O seminário também tem como objetivo analisar criticamente a prática do planejamento urbano e a implementação de políticas urbanas, considerando a diversidade social e de gênero.

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Jane Jacobs: uma mãe urbanista

jacobsDentre seus diversos ativismos contra projetos de intervenção urbana que arrasavam comunidades e bairros com projetos modernistas, sua maior batalha foi uma luta contra o projeto Lower Manhattan Expressway, de Robert Moses que destruiria o entorno do seu bairro em Nova York, na década de 1960. Em uma das audiências sobre a realização da intervenção urbana de Moses, as argumentações contra o projeto feitas por Jane Jacobs (1916-2006) foram desqualificadas pelo urbanista modernista acusando-a de “MÃE”:

“Não há ninguém contra isso [o “Lower Manhattan Expressway”] – NINGUÉM, NINGUÉM, NINGUÉM, a não ser um monte de … um monte de MÃES!” – Fala de Robert Moses, em uma audiência pública sobre seu projeto urbano.

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“Perspectivas de gênero no planejamento urbano” – Ana Falú

11174260_10204124563131452_4654102299804784068_oA militante feminista Ana Falú é uma das maiores referencias da América Latina nos estudos de Cidade e Gênero. Arquiteta e urbanista, se formou na Universidade Nacional de Tucumán, na Argentina; e fez doutorado em habitação social na Universidade Técnica de Delft, na Holanda. Seu campo de pesquisa e ação está no projeto e nas políticas urbanas e habitacionais com perspectiva de gênero. É fundadora da “Red Mujer y Hábitat de América Latina”, de CISCSA, da “Articulación Feminista Marcosur”, entre outras instituições pelo direito das mulheres. Ela foi ainda coordenadora do UNIFEM (hoje conhecido como ONU Mulheres), primeiro como representante da Região Andina e mais tarde do Brasil e Países do Cone Sul. Em 2013, ganhou o prêmio “Trayectoria Feminista” na Argentina.

Atualmente Ana Falú é presidenta, professora e pesquisadora em arquitetura e urbanismo na Universidade Nacional de Córdoba e diretora do INVIHAB – Instituto de Pesquisa sobre Habitação e Habitat. Atua como especialista em gênero para a União Iberoamericana de Municipalistas. É coordenadora e fundadora do UNI Habitat – UNI Gender Hub (rede de pesquisadoras associadas a temática de gẽnero pela UNI Habitat). Ela também atua como professora de diferentes cursos de pós-graduação em Planejamento Integrado, Cidades e Gênero, em Roma, Santiago, Buenos Aires, Barcelona, ​​Delft, Alemanha e em mais de 10 universidades latino-americanas.

Reproduzimos abaixo um vídeo-palestra no qual ela debate o planejamento urbano a partir de uma perspectiva de gênero, com ênfase tanto no direito à cidade como em quem tem direito a planejar essa cidade. Isto é, de que forma se pode incluir as mulheres no debate urbano, incorporando propostas e experiências de políticas urbanas da América Latina. Infelizmente a palestra está em inglês. Por esse motivo apontamos algumas questões que ela levanta a seguir.  Continuar lendo

A ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também? – oficina na semana PUR

No dia 13 de dezembro, quarta-feira, estaremos realizando uma oficina aberta na semana do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Semana PUR do IPPUR/UFRJ). Intitulada “a ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também?”, a ideia é pautar e debater juntas uma proposta para inserção dos debates intersecionais entre classe, raça e gênero dentro do instituto, tanto na sua Pós-Graduação em PUR quanto na graduação, o curso Gestão Pública para o Desenvolvimento Social – GPDES.

Historicamente a ciência moderna – dita “neutra”, “objetiva”, “racional” – negou às (nós) mulheres, em especial às mulheres negras, a possibilidade de estar nos espaços de produção e disseminação do saber e de elaborar e compartilhar conhecimentos de relevância para as suas (nossas) vidas e lutas. Esta ciência hegemônica se baseia na ideia da existência de UM sujeito universal, que na verdade é um homem branco, heterossexual e ocidental. Além disso, ainda observamos no ensino, pesquisa e extensão- e inclusive no planejamento urbano e regional – a predominância da razão dualista, baseada em uma lógica binária, de pares opostos e hierarquizados – sujeito/objeto, mente/corpo, cultura/natureza, razão/emoção – construída a partir das diferenças de sexos e desigualdades de gênero.

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O urbanismo feminista do Col·lectiu Punt 6

Ilustração da publicação “Noturnas”, um projeto do Col·lectiu Punt 6

O urbanismo feminista vem despontando como uma alternativa para se pensar a cidade e seus equipamentos coletivos de uma outra forma. Principalmente na busca de uma aliança das dicotomias entre a esfera produtiva e a esfera reprodutiva. A cooperativa Col·lectiu Punt 6, em Barcelona (Espanha), é uma referência nesse sentido. O grupo é coordenado pela Arquiteta e Urbanista feminista Zaida Muxi, professora da Universidade de Barcelona, e é composto de arquitetas, sociólogas e urbanistas.

Segundo a cooperativa, o urbanismo feminista desafia a premissa de que o planejamento é neutro. Nesse sentido, reafirma a ideia de que nossas cidades e bairros foram configurados por meio dos valores de uma sociedade capitalista e patriarcal, nos quais, é importante ressaltar, que esta forma física dos espaços urbanos contribui para perpetuar esses mesmos valores. Em resposta, o planejamento urbano feminista propõe práticas para transformar as divisões típicas das cidades capitalistas e patriarcais, que demostram a necessidade de repensar os espaços públicos a partir da ótica da vida cotidiana. Significa colocar a vida das pessoas no centro das decisões de planejamento por meio da participação da comunidade, sobretudo nos espaços onde “a vida acontece”: a casa, o bairro, os centros urbanos, os subúrbios e periferias. Continuar lendo

convite palestra: “Mulher e Cidade na Discussão sobre a Política Urbana: uma relação possível?”

20746183_1927127124211817_6281932190824210170_oGuestpost (autoras convidadas): texto de Doraci Lopes e Laura Bueno

A palestra visa problematizar a relação mulher e direito a cidade a partir de dados oficiais e documentos coletivos de movimentos feministas de Campinas. Especialmente o aumento da violência, da feminização da pobreza, o modo de vida provisório de moradia e trabalho, problemas que tem sido ignorados pelas decisões de política urbana e planejamento. A atividade, aberta ao público, está inserida em disciplina do Programa de Pós Graduação em Urbanismo, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a percepção do espaço urbano pela população, em suas clivagens de classe, gênero, étnicas e culturais. Pesquisadores, profissionais, gestores públicos, prestadores de serviços urbanos consideram essas clivagens ? Pesquisadores e professores que os formam e formaram devemos colocar em nossas pautas esses conteúdos emergentes.

Dia 22 de agosto de 2017, 16hs na PUC – Campinas.