Marielle vive na cidade e em nossos corações.

Faz um mês. Desde quarta-feira, dia 14 de março de de 2018, estamos enfrentando momentos muito difíceis, de dor, indignação e saudade. Marielle Franco foi covardemente tirada de nós. Sem saber ao certo como seguir perante a brutalidade, caminhamos, apoiando-se umas na outras e levantando os olhos a cada passo. Nos somamos no nosso luto, mas também na(s) nossa(s) luta(s). Não iremos deixar calar mais uma voz que se levantava pelas mulheres, pelas(os) pretas(os), pelas(os) faveladas(os), pelas lésbicas, pelas(os) bissexuais, pelas mães e por muitas(os) outras(os).

Somos muitas e cada vez maiores!

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“Eu, arquiteta, faço greve no 8 de março de 2018” por Zaida Muxi

Repost de texto de Zaida Muxi no blog Fundación Arquia (Tradução: Diana Helene).

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“Eu não quero que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas” Mary Wollstonecraft (1759-1797)

“Todas as desgraças do mundo provêm do esquecimento e do desprezo que até agora tem sido feito dos direitos naturais e essenciais de ser uma mulher” Flora Tristan (1803-1844)

8 de março1  é dia international das mulheres, na verdade da mulher, mas eu gosto de usar o plural, porque somos muitas e diversas, e, como vocês sabem existe uma convocatória mundial dos movimentos feministas para nós pararmos de trabalhar nesse dia, tanto na esfera do cuidado ou da reprodução como na esfera do trabalho remunerado ou da produção.

Sim, vou escrever sobre arquitetura e mulheres e porque estar em greve. Muitas pessoas em nosso grupo profissional pensam não haver diferenças entre homens e mulheres e, portanto, não seria necessário falar de gênero ou de mulheres, nem seria necessário, portanto, entrar em greve; mas eu considero que sim, é necessário, e tentarei dar alguns motivos.

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“Perspectivas de gênero no planejamento urbano” – Ana Falú

11174260_10204124563131452_4654102299804784068_oA militante feminista Ana Falú é uma das maiores referencias da América Latina nos estudos de Cidade e Gênero. Arquiteta e urbanista, se formou na Universidade Nacional de Tucumán, na Argentina; e fez doutorado em habitação social na Universidade Técnica de Delft, na Holanda. Seu campo de pesquisa e ação está no projeto e nas políticas urbanas e habitacionais com perspectiva de gênero. É fundadora da “Red Mujer y Hábitat de América Latina”, de CISCSA, da “Articulación Feminista Marcosur”, entre outras instituições pelo direito das mulheres. Ela foi ainda coordenadora do UNIFEM (hoje conhecido como ONU Mulheres), primeiro como representante da Região Andina e mais tarde do Brasil e Países do Cone Sul. Em 2013, ganhou o prêmio “Trayectoria Feminista” na Argentina.

Atualmente Ana Falú é presidenta, professora e pesquisadora em arquitetura e urbanismo na Universidade Nacional de Córdoba e diretora do INVIHAB – Instituto de Pesquisa sobre Habitação e Habitat. Atua como especialista em gênero para a União Iberoamericana de Municipalistas. É coordenadora e fundadora do UNI Habitat – UNI Gender Hub (rede de pesquisadoras associadas a temática de gẽnero pela UNI Habitat). Ela também atua como professora de diferentes cursos de pós-graduação em Planejamento Integrado, Cidades e Gênero, em Roma, Santiago, Buenos Aires, Barcelona, ​​Delft, Alemanha e em mais de 10 universidades latino-americanas.

Reproduzimos abaixo um vídeo-palestra no qual ela debate o planejamento urbano a partir de uma perspectiva de gênero, com ênfase tanto no direito à cidade como em quem tem direito a planejar essa cidade. Isto é, de que forma se pode incluir as mulheres no debate urbano, incorporando propostas e experiências de políticas urbanas da América Latina. Infelizmente a palestra está em inglês. Por esse motivo apontamos algumas questões que ela levanta a seguir.  Continuar lendo

Ser, fazer e acontecer – memórias de um processo

739286_739286Há algum tempo temos tido vontade de resgatar uma publicação muito importante para experiência de formação e militância de uma de nós: Ser, fazer e acontecer – mulheres e o direito à cidade, de Autoria Coletiva e organizado por Taciana Gouveia à época no SOS Corpo em Recife. Como ela mesmo diz, este livro “é em si mesmo um acontecimento por ser um ato inaugural de múltiplas possibilidades”. E esse era verdadeiramente o espírito do processo que culminou nesta publicação. Foram 2 anos de oficinas de formação com mulheres, em sua maioria, de ONGs, movimentos sociais urbanos e associação de moradores de diversos lugares do Brasil, diretamente envolvidas no Fórum Nacional de Reforma Urbana e parceiros da OXFAM GB, naqueles anos de 2007 e 2008 (senão me engano), ou seja, já se passaram 10 anos. As oficinas se constituíram também como uma oportunidade de articulação política de uma agenda de intervenção para a questão de gênero em outras redes e fóruns de reforma urbana. Até porque algumas participantes também ocupavam a cadeira de conselheiras no Ministério das Cidades. Continuar lendo

Defesa do mestrado “A Cidade Na Perspectiva Do Gênero: As Políticas Públicas Urbanas 1990-2015”

Começamos o ano animadas: divulgando essa dissertação de mestrado super importante que será defendida na pós graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP. Somos muitas e cada vez maiores ❤

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Guestpost (autora convidada): texto de Camilla M. Sumi (Arquiteta, Urbanista e Pesquisadora – PATC – FEC | Habitares | UNICAMP)

Cartaz de divulgação da defesa. Figura: top of the world, silk tapestry. Artista: Billie Zangewa, 2013.

No dia 27 de fevereiro, terça-feira, às 9h30 acontecerá a defesa de mestrado A Cidade Na Perspectiva Do Gênero: As Políticas Públicas Urbanas 1990-2015 da arquiteta urbanista Camilla M. Sumi.

A partir da organização da literatura que aborda gênero e cidade, a pesquisadora apresenta algumas questões do campo político e do direito à cidade para identificar a inclusão do gênero nas políticas públicas urbanas, na perspectiva das mulheres – entendidas como todas aquelas que se reconhecem como tal: mulheres cisgêneros e mulheres transexuais – sendo a cidade de São Paulo objeto do estudo. Continuar lendo

"The Subway", George Tooker, 1950. [Whitney Museum of American Ar/NPR]

Como começar? Já começamos!

O ano de 2017, foi emblemático na luta pelos direitos das mulheres no Brasil e no mundo, e o debate sobre o direito à cidade a partir de nossa perspectiva ganhou ainda mais relevo. Quando iniciamos nossas militâncias e pesquisas sobre esta problemática, a pergunta, “Como começar?” era quase uma ameaça.

Mas, felizmente, já começamos e cada vez mais assistimos e nos envolvemos em debates que têm se aprofundado no debate do urbanismo (e do planejamento urbano) com a perspectiva de gênero, não só entre arquitetas e urbanistas! Tem uma mulherada se empoderando nestas reflexões, muitas delas divulgadas aqui no blog.

O blog também cresceu em conjunto com o interesse cada vez mais maior nos temas relacionados ao estudos urbanos e as questões de gênero. Durante o ano de 2017 o número de acessos cresceu vertiginosamente, como podemos ver no gráfico abaixo, demonstrando como o debate vem ganhando corpo.

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Nola Darling uma mulher resistindo ao machismo, ao racismo e a gentrificação do seu bairro natal

A nova série dirigida por Spike Lee “Ela quer tudo”, do NETFLIX, trás como personagem principal uma mulher incrível da qual acompanhamos a cada episódio sua luta para se tornar uma artista reconhecida e uma mulher sexualmente e afetivamente livre. Nola Darling é uma mulher negra crescida em Fort Greene, no Brooklyn, Nova York. O bairro não é apenas um pano de fundo da história, mas também, na minha opinião, o segundo personagem principal da trama. O diretor, também nascido no local, aprofunda neste seriado uma série de questões sobre o bairro, que já tratava em outras produções suas como o clássico “Faça a coisa certa” de 1989, por exemplo.

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