“As primeiras a serem expulsas são as prostitutas”

Gabriela Leite, prostituta, escritora e fundadora do movimento social de defesa dos direitos das trabalhadoras do sexo no Brasil, afirma, em uma entrevista de 2006 na revista Caros Amigos, que as primeiras pessoas a serem expulsas por processos de intervenções/renovações urbanas são as prostitutas (LEITE, 2006). De forma recorrente, prostitutas são alvo de processos de remoção e “limpeza”. A eliminação da prostituição aparenta ser uma estratégia precursora de abertura de caminhos para processos de revalorização imobiliária, marcados pela chamada “gentrificação”, na qual a principal característica é uma nova injeção de capital na área e a decorrente substituição de seus moradores/usuários por outros de maior renda. Para isso se efetivar, a violência contra a presença das prostitutas é aliada a processos também violentos de desconstrução dos seus espaços de atuação, como demolições e “emparedamentos”.

“Pistas del Baile”: série de fotografias da artista mexicana Teresa Margolles que retratam prostitutas sobre os escombros da demolição de antigas boates e locais de prostituição nos quais trabalhavam em Ciudad Juárez , México: “Desde los años noventa, sucesivos gobiernos han intentado recuperar su centro histórico llevando a cabo una limpieza social y desplazando, entre otros, a las trabajadoras sexuales que se desenvuelven en la zona. Casas y negocios han sido cerrados y demolidos a lo largo de los años, entre ellos numerosos clubes nocturnos y discotecas, debido a la guerra entre carteles de droga, a decisiones gubernamentales y a la especulación inmobiliaria (Artishock, Jun 9, 2017)”

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Provoca.ações 3 sobre a cidade na perspectiva das mulheres – na Casa dos Estudos Urbanos

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Hoje, segunda-feira, participaremos do Provoca.Ações em uma conversa sobre a cidade e seus espaços segundo a perspectiva das desigualdades de gênero. Estamos com grande expectativa, já que provavelmente dialogaremos com um público pouco habituado ao debate feminista. Além disso, teremos a oportunidade de estar com a Tainá de Paula que concorre como conselheira federal na Chapa 3 do CAU/RJ, trazendo essa pauta de forma marcante na sua campanha. Vamos juntas!

Às 18h30 na Casa de Estudos Urbanos – Rua da Glória, 18, Glória – Rio de Janeiro.

“Sobre as mulheres negras faveladas e a mobilidade urbana” – por Marielle Franco

Capa da Revista Blooks número 4 - Março/Abril/Maio 2017

O texto da vereadora carioca Marielle Franco, intitulado “Sobre as mulheres negras faveladas e a mobilidade urbana” na revista Blooks é uma provocação interessante para o campo da mobilidade urbana, muito habituado ao debate tecnocrático sobre “eficiência ” realizado por figuras brancas e masculinas . A partir de sua experiência pessoal como moradora da favela Complexo da Maré e de uma perspectiva intersecional entre gênero, raça e classe, o texto traz de forma direta dados e reflexões sobre os rumos que esse debate pode tomar levando em consideração os problemas sociais nas favelas do Rio de Janeiro.

Você pode ler diretamente na versão online da revista Blooks (ver página 21) ou na transcrição abaixo:

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A Marcha das Vadias: o corpo da mulher e a cidade

HELENE, Diana. A Marcha das Vadias: o corpo da mulher e a cidade. In: REDOBRA 11 [ano 4, número 1], CORPOCIDADE 3, 2013, PP. 68 -79  (acesse online: http://www.redobra.ufba.br/wp-content/uploads/2013/06/redobra11_08.pdf)

“eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que escolhi
e poder me assegurar, que de burca ou de shortinho
todos vão me respeitar!” 1

As Slut Walks começaram no ano de 2011 em Toronto, Canadá, e se espalharam rapidamente. Em função da internet a notícia da realização da primeira marcha correu o mundo, fazendo mais de 200 cidades a reproduzirem poucas semanas depois2. No Brasil, ganharam o nome de “Marcha das Vadias3” e aconteceram em cerca de 30 cidades diferentes4. Segundo Jessica Valenti os protestos se espalharam de forma viral e tornaram-se, em poucos meses, “the most successful feminist action of the past 20 years”5.

Uma das características mais interessante das Slut Walks é que tanto sua organização, quanto sua reprodução acontece de forma descentralizada, com a internet como meio de propagação, organização e repercussão. Muitos protestos contemporâneos têm base na popularização das recentes tecnologias de informação e comunicação: a internet aliada a aparelhos celulares multi-funções, máquinas fotográficas e filmadoras, tem construído uma gama de conteúdos digitais que estão em constante troca, contraposição e retroalimentação em redes sociais, blogs, etc. Por essa razão, esse artigo se utiliza dos discursos construídos pelos participantes e ativistas das marchas por meio da internet, bem como sua reverberação neste meio, na reivindicação de uma nova relação entre o corpo da mulher e a cidade.

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Uma Análise das Desigualdades de Gênero em Favelas do Rio de Janeiro: Perspectiva do Reconhecimento para o Urbanismo

TAVARES, Rossana Brandão. Uma Análise das Desigualdades de Gênero em Favelas do Rio de Janeiro: Perspectiva do Reconhecimento para o Urbanismo. In: Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. São Paulo, v. 13, n.2, p.42 – 57, 2012.

Resumo

Este artigo é resultado da pesquisa da tese de doutorado, ainda em andamento, que pretende analisar as desigualdades de gênero nas cidades, focando mulheres pobres que vivem em favelas do Rio de Janeiro, com o propósito de provocar o debate ainda ausente no campo do urbanismo. Nesse sentido, apresentamos uma revisão bibliográfica de autores(as) que discutem os seguintes pontos: (i) a importância da teoria crítica feminista neste momento de transição paradigmática da ciência moderna; (ii) o debate político sobre reconhecimento e redistribuição da ciência política na perspectiva das desigualdade de gênero; (iii) a categoria vulnerabilidade em relação às discussões sobre o espaço urbano que servem como suporte teórico-metodológico para as reflexões a partir de dados de três favelas da cidade: Providência, na Zona Portuária; Babilônia e Chapéu Mangueira, na Zona Sul. O objetivo é mostrar a importância da análise das desigualdades de gênero nos estudos urbanos para que possamos, como arquitetos(as) e urbanistas, superar as concepções “universalistas-modernistas” tanto na escala do planejamento (e da política) quanto na de projeto urbano. Para tanto, dividimos o artigo em quatro partes: (i) a introdução, onde explicamos motivações, objetivos e metodologia empregada; (ii) a primeira parte, que chamamos de perspectiva da redistribuição e do reconhecimento de gênero na política urbana; (iii) a segunda parte sobre possíveis contribuições da crítica feminista na análise do espaço urbano;(iv) e as conclusões. Nossa intenção é buscar contribuir para a constituição de um saber solidário que considere os novos e velhos processos sociais ainda negligenciados pelas análises científicas. Não só o mundo profissional, mas a própria prática de arquitetos(as) e urbanistas ainda estão permeados pela lógica do “mundo dos homens”. Trazer à tona dados, análises e reflexões sobre como as mulheres pobres estão em uma situação de vulnerabilidade diferenciada na cidade, em razão das contradições sociais e culturais de gênero, é uma forma de radicalizar a percepção sobre tal problemática e nos provocar a emancipação do nosso modo de produção do conhecimento.

Disponível em: http://www.mackenzie.br/dhtm/seer/index.php/cpgau/article/view/tavares.2012.2

As desigualdade de gênero na cidade

O vídeo discute de forma simples as desigualdades de genero na cidade, é um otimo material de debate/formação!!

Texto e Roteiro: Rossana B. Tavares; Colaboração: Ariana Kelly dos Santos; Locução: Tayane Lopes; Imagens: FASE Rio e Olhear Electromatto; Produção e Edição: Olhear Electromatto. Musica: Agustin Kammearth e Tayane Lopes; Equipe FASE Rio: Aércio de Oliveira, Monica Ponte, Rafael Andrade e Rossana B. Tavares.