Marielle vive na cidade e em nossos corações.

Faz um mês. Desde quarta-feira, dia 14 de março de de 2018, estamos enfrentando momentos muito difíceis, de dor, indignação e saudade. Marielle Franco foi covardemente tirada de nós. Sem saber ao certo como seguir perante a brutalidade, caminhamos, apoiando-se umas na outras e levantando os olhos a cada passo. Nos somamos no nosso luto, mas também na(s) nossa(s) luta(s). Não iremos deixar calar mais uma voz que se levantava pelas mulheres, pelas(os) pretas(os), pelas(os) faveladas(os), pelas lésbicas, pelas(os) bissexuais, pelas mães e por muitas(os) outras(os).

Somos muitas e cada vez maiores!

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Nola Darling uma mulher resistindo ao machismo, ao racismo e a gentrificação do seu bairro natal

A nova série dirigida por Spike Lee “Ela quer tudo”, do NETFLIX, trás como personagem principal uma mulher incrível da qual acompanhamos a cada episódio sua luta para se tornar uma artista reconhecida e uma mulher sexualmente e afetivamente livre. Nola Darling é uma mulher negra crescida em Fort Greene, no Brooklyn, Nova York. O bairro não é apenas um pano de fundo da história, mas também, na minha opinião, o segundo personagem principal da trama. O diretor, também nascido no local, aprofunda neste seriado uma série de questões sobre o bairro, que já tratava em outras produções suas como o clássico “Faça a coisa certa” de 1989, por exemplo.

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“Eu quero sair daqui!”: cenas fantasmagóricas do espaço doméstico

Birgit Jürgenssen, “Housewives’ Kitchen Apron”, 1975

Birgit Jürgenssen, “Eu quero sair daqui!”, 1976

Vestida de um avental típico das donas-de-casa e prensada por trás de uma porta envidraçada, a artista austríaca Birgit Jürgenssen (1949-2003) escreve no vidro Ich möchte hier raus!: “Eu quero sair daqui!”. A obra, de 1976, é dos trabalhos desta artista feminista de vanguarda que, por meio de fotografias, desenhos, pinturas e objetos debate a situação da mulher em sua época, situação esta que continua assustadoramente atual. Birgit se especializou em uma arte corporal feminina por meio de auto-retratos e séries fotográficas e/ou desenhadas, que mostram uma seqüência de eventos relacionados à vida social diária de uma mulher, em uma atmosfera de preconceito, medo e reclusão. Continuar lendo