LabCidade realiza o seminário Cidade, Gênero, Interseccionalidades no Sesc-SP

REPOST do LABCIDADE – Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade – laboratório de pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo: http://www.labcidade.fau.usp.br
47679641_1124600361032361_6470058783325290496_n

Foto: Luenne Albuquerque

Embora o planejamento urbano no Brasil tenha avançado no debate acerca do direito à cidade e procurado construir processos democráticos de governança urbana, até agora, não foram adotadas práticas e políticas para o território considerando as diferenças e desigualdades estruturais para além das classes sociais.

É a partir dessa leitura de contexto que, desde 2016, o LabCidade FAUUSP desenvolve, sob coordenação da Profa. Paula Freire Santoro, uma agenda de pesquisa que busca investigar de que maneira as questões de gênero se manifestam no urbano, utilizando São Paulo como território de pesquisa.

Para colocar em debate e fazer convergir os trabalhos e conceitos que tem sido desenvolvidos acerca do tema, decidimos organizar o Seminário Cidade, Gênero e Interseccionalidades, que acontecerá em São Paulo entre 28 de janeiro e 1 de fevereiro de 2019, realizado pelo Centro de Pesquisa e Formação do SescVeja o evento no Facebook.

Uma das propostas é entender as questões de gênero como uma categoria de análise do território, considerando a interseccionalidade ou a sobreposição de identidades sociais e de sistemas de opressão, dominação ou discriminação – normalmente associados a diferenças de classe, raça, nacionalidade, sexualidade. Serão discutidas abordagens teóricas do planejamento urbano e gênero, com foco especial nas teorias contra-hegemônicas recentes.

O seminário também tem como objetivo analisar criticamente a prática do planejamento urbano e a implementação de políticas urbanas, considerando a diversidade social e de gênero.

Continuar lendo

Defesa do mestrado “GÊNERO DA CIDADE EM DISPUTA: práticas artísticas como manifestação do dissenso”

Eu sou uma artista. Eu sou uma mulher. Eu sou uma esposa. Eu sou uma mãe. (Ordem aleatória). Eu faço um monte de lavagem, limpeza, cozinho, renovo, preservo, etc. Também, até agora, separadamente, eu “faço” arte. Agora, eu vou simplesmente fazer essas tarefas de manutenção diárias e trazê-las à consciência, exibindo-as como arte […] MEU TRABALHO SERÁ O TRABALHO. (Mierle UKELES, 1969)*

Segunda-feira próxima, dia 6 de maio de 2018 as 9h00, acontecerá a defesa da dissertação de mestrado “GÊNERO DA CIDADE EM DISPUTA: práticas artísticas como manifestação do dissenso”, de Carolina Gallo Garcia, pelo Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PROPUR-UFRGS).

A partir da obra de uma série de artistas feministas – em especial 4 mulheres que realizam intervenções na cidade e “que configuram casos representativos ao imaginarem novas formas de produzir espaço público”:  a) Mierle Ukeles (EUA, 1939), que questiona os papéis de gênero e a divisão sexual do trabalho a partir da transposição das atividades domésticas para o âmbito do espaço público; b) Adrian Piper (EUA, 1948), que realiza performances urbanas que questionam papéis de gênero e raça, a partir de sua própria inserção nesses papéis; c) Valie Export (Áustria, 1940), que evidencia as relações de gênero na configuração e nas escalas de desenho da cidade por meio de intervenções entre seu corpo e estruturas arquitetônico-urbanas, e que também realiza outras performances que debatem as relações de poder entre os gêneros como, por exemplo, uma intervenção na qual passeia com seu marido na coleira como um cachorro pelas ruas de Viena; d) Sophie Calle (França, 1953), que realiza deambulações, incursões e perseguições urbanas, que se relacionam com uma espécie de flânerie e voyerismo de atualização feminista –  a dissertação tensiona ideais relacionados a noção de espaço público e sua suposta constituição democrática, quando, na verdade, se constitui a partir de hierarquias de gênero, raça, entre outras.

* No original: “I am an artist. I am a woman. I am a wife. I am a mother. (Random order). I do a hell of a lot of washing, cleaning, cooking, renewing, supporting, preserving, etc. Also, up to now separately I “do” Art. Now, I will simply do these maintenance everyday things, and flush them up to consciousness, exhibit them, as Art. . . . MY WORKING WILL BE THE WORK”. (tradução da autora, In: GARCIA, 2018, p. 98).

Continuar lendo

indicação de leitura: “Feminist theory and planning theory: the epistemological linkages”

SANDERCOCK, Leonie; FORSYTH, Ann. “Feminist theory and planning theory:  the epistemological linkages”. In: CAMPBELL, Scott; FAINSTEIN, Susan. Readings in planning theory. Malden/Mass, Blackwell Publishers, 1996, p. 471-478.

A crítica feminista à epistemologia patriarcal e racionalista do Planejamento Urbano e Regional

Leonie SANDERCOCK vem produzindo e organizando uma excelente bibliografia acerca de estudos urbanos não-hegemônicos. Neste texto, em conjunto com Ann FORSYTH, as autoras fazem uma reflexão acerca da união epistemológica entre gênero e planejamento. O trabalho é uma ótima introdução para se pensar no tema, tão escasso nas leituras brasileiras. Infelizmente, o texto original é em inglês e ainda não está traduzido. Por isso, pontuamos aqui algumas colocações importantes que elas apontam.

Continuar lendo