O Coletivo “Charlotte Perriand”

Guestpost (autoras convidadas): texto do Coletivo Charlotte Perriand (coletivo de estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP)
Charlotte Perriand em seu apartamento

Charlotte Perriand em seu apartamento

O Coletivo Charlotte Perriand surgiu no ano de 2016 em meio aos três meses de greve geral da universidade. Ficamos bastante inspiradas por duas professoras nossas, a Silvana Rubino e a Sabrina Fontenele, que trouxeram a discussão de gênero e domesticidade para o curso de arquitetura e urbanismo. Depois de alguns encontros entre as mulheres do curso começamos a nos questionar quantas vezes usamos referências de arquitetas mulheres nos nossos projetos, quantas vezes referências femininas foram utilizadas como bibliografia no programa das disciplinas, onde estão as mulheres no mercado de trabalho, já que a maioria no curso é de mulheres, ou quantas figuras femininas foram contempladas pelos prêmios que tanto reconhecemos.
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“Eu quero sair daqui!”: cenas fantasmagóricas do espaço doméstico

Birgit Jürgenssen, “Housewives’ Kitchen Apron”, 1975

Birgit Jürgenssen, “Eu quero sair daqui!”, 1976

Vestida de um avental típico das donas-de-casa e prensada por trás de uma porta envidraçada, a artista austríaca Birgit Jürgenssen (1949-2003) escreve no vidro Ich möchte hier raus!: “Eu quero sair daqui!”. A obra, de 1976, é dos trabalhos desta artista feminista de vanguarda que, por meio de fotografias, desenhos, pinturas e objetos debate a situação da mulher em sua época, situação esta que continua assustadoramente atual. Birgit se especializou em uma arte corporal feminina por meio de auto-retratos e séries fotográficas e/ou desenhadas, que mostram uma seqüência de eventos relacionados à vida social diária de uma mulher, em uma atmosfera de preconceito, medo e reclusão. Continuar lendo

Provoca.ações 3 sobre a cidade na perspectiva das mulheres – na Casa dos Estudos Urbanos

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Hoje, segunda-feira, participaremos do Provoca.Ações em uma conversa sobre a cidade e seus espaços segundo a perspectiva das desigualdades de gênero. Estamos com grande expectativa, já que provavelmente dialogaremos com um público pouco habituado ao debate feminista. Além disso, teremos a oportunidade de estar com a Tainá de Paula que concorre como conselheira federal na Chapa 3 do CAU/RJ, trazendo essa pauta de forma marcante na sua campanha. Vamos juntas!

Às 18h30 na Casa de Estudos Urbanos – Rua da Glória, 18, Glória – Rio de Janeiro.

Indicação de leitura: “Calibã e a Bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva” de Silvia Federici

“Para ele, ela era uma mercadoria fragmentada cujos sentimentos e escolhas raras vezes eram consideradas: sua cabeça e seu coração estavam separados de suas costas e mãos, e divididas de seu útero e vagina. Suas costas e músculos eram forçados no trabalho do campo […,] às suas mãos se exigia cuidar e nutrir o homem branco […]. [S]ua vagina, usada para o prazer sexual dele, era a porta de acesso ao útero, lugar para os investimentos dele – o ato sexual era o investimento de capital, e o filho, a mais-valia acumulada. […]” Barbara Omolade, Heart of Darkness, 1983 (citação no livro: Federici, 2017, p.113).

Imagem do livro: “Uma “resmungona” é obrigada a desfilar pela comunidade usando a “rédea”, uma engenhoca de ferro empregada para punir mulheres de língua afiada. Significativamente, um aparato similar era usado por europeus traficantes de escravos na África para dominar os cativos e transportá-los a seus barcos. Gravura inglesa do século xvii” (Ibidem, p. 201)

Em julho de 2017 foi lançado a versão brasileira do livro “Caliban and the Witch: Women, the Body and Primitive Accumulation”, de Silvia Federici, original de 2004. A tradução para o português foi realizada por um coletivo de mulheres, o Coletivo Sycorax, que se formou originalmente com o objetivo de traduzir essa obra tão importante da bibliografia feminista e depois se firmou como coletivo editorial. O livro (que é lindo e cheio de imagens impressionantes) pode ser adquirido pela Editora Elefante, mas também está disponível de forma livre, sob direitos autorais da Creative Commons e pode ser acessado aqui. Continuar lendo