Nola Darling uma mulher resistindo ao machismo, ao racismo e a gentrificação do seu bairro natal

A nova série dirigida por Spike Lee “Ela quer tudo”, do NETFLIX, trás como personagem principal uma mulher incrível da qual acompanhamos a cada episódio sua luta para se tornar uma artista reconhecida e uma mulher sexualmente e afetivamente livre. Nola Darling é uma mulher negra crescida em Fort Greene, no Brooklyn, Nova York. O bairro não é apenas um pano de fundo da história, mas também, na minha opinião, o segundo personagem principal da trama. O diretor, também nascido no local, aprofunda neste seriado uma série de questões sobre o bairro, que já tratava em outras produções suas como o clássico “Faça a coisa certa” de 1989, por exemplo.

Capture du 2017-12-18 17-34-56

 

Continuar lendo

Anúncios

A ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também? – oficina na semana PUR

No dia 13 de dezembro, quarta-feira, estaremos realizando uma oficina aberta na semana do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Semana PUR do IPPUR/UFRJ). Intitulada “a ciência é um homem branco, ocidental e heterossexual; o planejamento urbano e regional também?”, a ideia é pautar e debater juntas uma proposta para inserção dos debates intersecionais entre classe, raça e gênero dentro do instituto, tanto na sua Pós-Graduação em PUR quanto na graduação, o curso Gestão Pública para o Desenvolvimento Social – GPDES.

Historicamente a ciência moderna – dita “neutra”, “objetiva”, “racional” – negou às (nós) mulheres, em especial às mulheres negras, a possibilidade de estar nos espaços de produção e disseminação do saber e de elaborar e compartilhar conhecimentos de relevância para as suas (nossas) vidas e lutas. Esta ciência hegemônica se baseia na ideia da existência de UM sujeito universal, que na verdade é um homem branco, heterossexual e ocidental. Além disso, ainda observamos no ensino, pesquisa e extensão- e inclusive no planejamento urbano e regional – a predominância da razão dualista, baseada em uma lógica binária, de pares opostos e hierarquizados – sujeito/objeto, mente/corpo, cultura/natureza, razão/emoção – construída a partir das diferenças de sexos e desigualdades de gênero.

Continuar lendo

“As primeiras a serem expulsas são as prostitutas”

Gabriela Leite, prostituta, escritora e fundadora do movimento social de defesa dos direitos das trabalhadoras do sexo no Brasil, afirma, em uma entrevista de 2006 na revista Caros Amigos, que as primeiras pessoas a serem expulsas por processos de intervenções/renovações urbanas são as prostitutas (LEITE, 2006). De forma recorrente, prostitutas são alvo de processos de remoção e “limpeza”. A eliminação da prostituição aparenta ser uma estratégia precursora de abertura de caminhos para processos de revalorização imobiliária, marcados pela chamada “gentrificação”, na qual a principal característica é uma nova injeção de capital na área e a decorrente substituição de seus moradores/usuários por outros de maior renda. Para isso se efetivar, a violência contra a presença das prostitutas é aliada a processos também violentos de desconstrução dos seus espaços de atuação, como demolições e “emparedamentos”.

“Pistas del Baile”: série de fotografias da artista mexicana Teresa Margolles que retratam prostitutas sobre os escombros da demolição de antigas boates e locais de prostituição nos quais trabalhavam em Ciudad Juárez , México: “Desde los años noventa, sucesivos gobiernos han intentado recuperar su centro histórico llevando a cabo una limpieza social y desplazando, entre otros, a las trabajadoras sexuales que se desenvuelven en la zona. Casas y negocios han sido cerrados y demolidos a lo largo de los años, entre ellos numerosos clubes nocturnos y discotecas, debido a la guerra entre carteles de droga, a decisiones gubernamentales y a la especulación inmobiliaria (Artishock, Jun 9, 2017)”

Continuar lendo