O corpo que amamenta no espaço público

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foto de Michelle Gouveia – Projeto #AmamenteNaCidade

De 1 a 8 de agosto de 2017 aconteceu a Semana Mundial do Aleitamento Materno. Entre as diversas ações relativas a esse evento, muitas cidades no Brasil organizaram “Mamaços*” para levantar a importância do leite materno e reivindicar o direito à amamentar sem constrangimento. Isso porque o corpo que amamenta ainda é um elemento “fora de lugar” quando se encontra em espaços públicos. Mesmo que ninguém peça oficialmente para a mãe que se retire ou  que se cubra enquanto amamenta, muitas vezes ela se sente desconfortável com o olhar de repreensão das pessoas. Sob o pretexto de “ir para um lugar mais tranquilo”, as mulheres são, mais uma vez, levadas a se confinar na esfera privada e no espaço doméstico. Continuar lendo

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por uma cidade para mães e crianças

quadrinho da maravilhosa Thaiz Leão autora do “Mãe Solo”

Era carnaval e resolvemos sair com nosso bebê de quatro meses. No primeiro dia quem levou a bebéia amarrada no sling foi o pai dela. Foi muito divertido. Um sucesso! As pessoas não paravam de tirar foto da nossa joaninha. E elogiavam: “que legal trazer o bebê no carnaval!”, “assim já acostuma desde cedo”. Teve gente que até aproveitou pra paquerar o pai descolado “hum… a mãe também veio ou você está sozinho?”.

No outro dia eu coloquei nossa filha no carregador e fomos todos contentes pra rua. Mas a recepção foi COMPLETAMENTE – para não dizer violentamente – diferente. Nenhuma foto e nenhum elogio. Apenas olhares tortos que pareciam dizer “o que você esta fazendo com um bebê aqui?”. Algumas pessoas falaram “NOSSA!! é um bebê de verdade!?!?!” com cara de horrorizadas. Encontrei uma amiga que teve a coragem de dizer na minha cara o que os outros não disseram “você é louca de vir com ela aqui”. Foi horrível, fomos embora se sentindo os piores pais do mundo.

Depois, em casa, sentamos e pensamos. Os blocos eram praticamente iguais, no mesmo horário (de manhã cedinho) e na verdade o primeiro era bem maior que o segundo, o que, nesse caso, traria até mais riscos para o bebê. O que tinha mudado? QUEM carregava a criança. O pai era um cara divertido de sair com a filhinha pequena no carnaval, eu era uma mãe negligente. EU DEVERIA TER FICADO EM CASA.

Falta refletir mais sobre isso, mas essas experiências me fizeram pensar muito sobre o que é ser mãe e o sobre o que é ser pai em sua circulação no espaço urbano. Será que essa história também reflete como acontece a relação entre o espaço privado/espaço público e o lugar das mulheres/homens na cidade?

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convite debate: MEGAEVENTOS E A INVISIBILIDADE DA PROBLEMÁTICA DE GÊNERO

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No dia 28/04/2014, das 14:00 – 16:00h, iremos realizar o debate “MEGAEVENTOS E A INVISIBILIDADE DA PROBLEMÁTICA DE GÊNERO” na “II Conferência Internacional Megaeventos e a Cidade” (http://megaeventos.ettern.ippur.ufrj.br).

Nossa sessão livre é aberta a todes participarem e apresentarem suas opiniões e relatos, não precisa estar inscrito na conferencia para participar. A ideia do debate é inclusive reunir depoimentos e impressões sobre as violações de gênero nas intervenções urbanas dos megaeventos. No debate estão confirmadas até agora: Indianara Siqueira (transgênera, puta, assessora parlamentar e VadiX da Marcha das Vadias do Rio de Janeiro), Rossana Brandão Tavares (PROURB/UFRJ), Rachel Barros (IESP/UFRJ) e Diana Helene (IPPUR/UFRJ).

28/04/2014, 14h, Sala:SL6

Clube de Engenharia
(a cinco minutos do metrô da Carioca)
Ed. Edison Passos
Centro, Rio de Janeiro – RJ – Brasil

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Fonte: blog Fórum Comunitário do Porto- Foto: Edmilson de Lima/Favela em Foco
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Campanha “Chega de Fiu-Fiu” escancara os problemas do direito da mulher à cidade

A campanha contra o assédio sexual em espaços públicos “Chega de Fiu-Fiu” foi uma idéia de Juliana de Faria e Karin Hueck para mostrar que as mulheres estão fartas do assédio sexual nas ruas. Assim elas criaram uma pesquisa online em agosto de 2013, da qual participaram 7.762 mulheres. Para divulgar a pesquisa nas redes digitais, elas contaram com quadrinhos feitos pela artista Gabriela Shigihara:

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Os resultados da pesquisa mostram claramente como o assédio constante limita o uso das mulheres do espaço das cidades de maneira igualitária e segura: 81% das mulheres entrevistadas responderam sim para pergunta “Você já deixou de fazer alguma coisa (ir a algum lugar, passar na frente de uma obra, sair a pé) com medo do assédio?“. Além disso, 90% afirmam terem trocado de roupa pensando no lugar que iam por medo de ser assediada.

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A Marcha das Vadias: o corpo da mulher e a cidade

HELENE, Diana. A Marcha das Vadias: o corpo da mulher e a cidade. In: REDOBRA 11 [ano 4, número 1], CORPOCIDADE 3, 2013, PP. 68 -79  (acesse online: http://www.redobra.ufba.br/wp-content/uploads/2013/06/redobra11_08.pdf)

“eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que escolhi
e poder me assegurar, que de burca ou de shortinho
todos vão me respeitar!” 1

As Slut Walks começaram no ano de 2011 em Toronto, Canadá, e se espalharam rapidamente. Em função da internet a notícia da realização da primeira marcha correu o mundo, fazendo mais de 200 cidades a reproduzirem poucas semanas depois2. No Brasil, ganharam o nome de “Marcha das Vadias3” e aconteceram em cerca de 30 cidades diferentes4. Segundo Jessica Valenti os protestos se espalharam de forma viral e tornaram-se, em poucos meses, “the most successful feminist action of the past 20 years”5.

Uma das características mais interessante das Slut Walks é que tanto sua organização, quanto sua reprodução acontece de forma descentralizada, com a internet como meio de propagação, organização e repercussão. Muitos protestos contemporâneos têm base na popularização das recentes tecnologias de informação e comunicação: a internet aliada a aparelhos celulares multi-funções, máquinas fotográficas e filmadoras, tem construído uma gama de conteúdos digitais que estão em constante troca, contraposição e retroalimentação em redes sociais, blogs, etc. Por essa razão, esse artigo se utiliza dos discursos construídos pelos participantes e ativistas das marchas por meio da internet, bem como sua reverberação neste meio, na reivindicação de uma nova relação entre o corpo da mulher e a cidade.

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