Nola Darling uma mulher resistindo ao machismo, ao racismo e a gentrificação do seu bairro natal

A nova série dirigida por Spike Lee “Ela quer tudo”, do NETFLIX, trás como personagem principal uma mulher incrível da qual acompanhamos a cada episódio sua luta para se tornar uma artista reconhecida e uma mulher sexualmente e afetivamente livre. Nola Darling é uma mulher negra crescida em Fort Greene, no Brooklyn, Nova York. O bairro não é apenas um pano de fundo da história, mas também, na minha opinião, o segundo personagem principal da trama. O diretor, também nascido no local, aprofunda neste seriado uma série de questões sobre o bairro, que já tratava em outras produções suas como o clássico “Faça a coisa certa” de 1989, por exemplo.

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“As primeiras a serem expulsas são as prostitutas”

Gabriela Leite, prostituta, escritora e fundadora do movimento social de defesa dos direitos das trabalhadoras do sexo no Brasil, afirma, em uma entrevista de 2006 na revista Caros Amigos, que as primeiras pessoas a serem expulsas por processos de intervenções/renovações urbanas são as prostitutas (LEITE, 2006). De forma recorrente, prostitutas são alvo de processos de remoção e “limpeza”. A eliminação da prostituição aparenta ser uma estratégia precursora de abertura de caminhos para processos de revalorização imobiliária, marcados pela chamada “gentrificação”, na qual a principal característica é uma nova injeção de capital na área e a decorrente substituição de seus moradores/usuários por outros de maior renda. Para isso se efetivar, a violência contra a presença das prostitutas é aliada a processos também violentos de desconstrução dos seus espaços de atuação, como demolições e “emparedamentos”.

“Pistas del Baile”: série de fotografias da artista mexicana Teresa Margolles que retratam prostitutas sobre os escombros da demolição de antigas boates e locais de prostituição nos quais trabalhavam em Ciudad Juárez , México: “Desde los años noventa, sucesivos gobiernos han intentado recuperar su centro histórico llevando a cabo una limpieza social y desplazando, entre otros, a las trabajadoras sexuales que se desenvuelven en la zona. Casas y negocios han sido cerrados y demolidos a lo largo de los años, entre ellos numerosos clubes nocturnos y discotecas, debido a la guerra entre carteles de droga, a decisiones gubernamentales y a la especulación inmobiliaria (Artishock, Jun 9, 2017)”

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O urbanismo feminista do Col·lectiu Punt 6

Ilustração da publicação “Noturnas”, um projeto do Col·lectiu Punt 6

O urbanismo feminista vem despontando como uma alternativa para se pensar a cidade e seus equipamentos coletivos de uma outra forma. Principalmente na busca de uma aliança das dicotomias entre a esfera produtiva e a esfera reprodutiva. A cooperativa Col·lectiu Punt 6, em Barcelona (Espanha), é uma referência nesse sentido. O grupo é coordenado pela Arquiteta e Urbanista feminista Zaida Muxi, professora da Universidade de Barcelona, e é composto de arquitetas, sociólogas e urbanistas.

Segundo a cooperativa, o urbanismo feminista desafia a premissa de que o planejamento é neutro. Nesse sentido, reafirma a ideia de que nossas cidades e bairros foram configurados por meio dos valores de uma sociedade capitalista e patriarcal, nos quais, é importante ressaltar, que esta forma física dos espaços urbanos contribui para perpetuar esses mesmos valores. Em resposta, o planejamento urbano feminista propõe práticas para transformar as divisões típicas das cidades capitalistas e patriarcais, que demostram a necessidade de repensar os espaços públicos a partir da ótica da vida cotidiana. Significa colocar a vida das pessoas no centro das decisões de planejamento por meio da participação da comunidade, sobretudo nos espaços onde “a vida acontece”: a casa, o bairro, os centros urbanos, os subúrbios e periferias. Continuar lendo

Campanha #MEUCORPONÃOÉPÚBLICO.

Um grupo de publicitárias mulheres criaram uma campanha contra a violência e o assédio sofridos pelas mulheres em sua circulação pela cidade, sobretudo no transporte público. Tudo começou em um grupo fechado de Facebook, criado em 2016 pela publicitária Ana Mattioni, chamado Mad Women, que inicialmente tinha o objetivo de unir mulheres que trabalham com criação e atualmente conta com 1.800 profissionais “empenhadas em transformar o mercado e, claro, a sociedade” (segundo divulgação do grupo).

Depois do acontecimento do dia 29 de agosto, quando um homem ejaculou em uma passageira de ônibus e não foi penalizado pelo juiz, as mulheres do Mad Women resolveram unir seus talentos de criação para realizar uma série de pôsteres com fotos, desenhos e frases a partir da hashtag da campanha #MEUCORPONÃOÉPÚBLICO.

Foram criados um “Tumblr” que reúne todas as artes de forma livre e em alta resolução para que qualquer pessoa possa baixar, imprimir e espalhar por aí: https://meu-corpo-nao-e-publico.tumblr.com/; e um projeto de financiamento coletivo no catarse para a impressão de adesivos e posters adesivos para serem espalhados pela cidade com a campanha: https://www.catarse.me/meucorponaoepublico_d379.

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Seminário Internacional Fazendo Gênero 2017

Marcha Internacional “Mundos de Mulheres por Direitos” (foto: Feminismurbana)

Na semana de 30/07 a 04/08 aconteceu no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, o 13º Congresso Mundos de Mulheres (MM) conjuntamente ao Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 (FG), com o tema “Transformações, Conexões, Deslocamentos”. Foi a primeira vez que o MM foi realizado na América do Sul. Os dois eventos integrados reuniram cerca de 10 mil mulheres* de todo Brasil e de diferentes países do mundo, unindo academia e movimentos sociais em um espaço de diálogo sobre gênero e suas interseções entre classe, raça, colonialidade, etnia, origem, opção sexual, etc.

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“Sobre as mulheres negras faveladas e a mobilidade urbana” – por Marielle Franco

Capa da Revista Blooks número 4 - Março/Abril/Maio 2017

O texto da vereadora carioca Marielle Franco, intitulado “Sobre as mulheres negras faveladas e a mobilidade urbana” na revista Blooks é uma provocação interessante para o campo da mobilidade urbana, muito habituado ao debate tecnocrático sobre “eficiência ” realizado por figuras brancas e masculinas . A partir de sua experiência pessoal como moradora da favela Complexo da Maré e de uma perspectiva intersecional entre gênero, raça e classe, o texto traz de forma direta dados e reflexões sobre os rumos que esse debate pode tomar levando em consideração os problemas sociais nas favelas do Rio de Janeiro.

Você pode ler diretamente na versão online da revista Blooks (ver página 21) ou na transcrição abaixo:

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