“Direito à Cidade: uma visão por gênero” publicação do IBDU

Neste ano de 2017, em comemoração ao dia internacional da mulher, o Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU) publicou um material destinado especialmente ao debate entre espaço urbano e gênero, a partir da reflexão de diferentes mulheres sobre a cidade, sob temas e abordagens múltiplas. Segundo a introdução, esta é uma obra que « reúne diversas vozes ativistas, com diferentes vivências e trajetórias que participam da luta pelos direitos das mulheres. As autoras convidadas são mulheres que ajudaram a construir o IBDU ao longo dos anos, como integrantes da diretoria, colaboradoras da equipe técnica, associadas e parceiras ». São textos curtos, em formato eletrônico (disponível aqui), que agregam de forma plural temas relacionados ao direito à cidade das mulheres como: mobilidade, habitação, raça, políticas públicas, movimentos sociais, etc.

Além de sistematizarem a experiência nos diferentes campos de atuação do Instituto, os textos organizam uma série de importantes dados e estatísticas sobre acessibilidade, violência e desigualdades espaciais na vida cotidiana das mulheres nas cidades brasileiras.

Como as contribuições partem da atuação prática de suas autoras, a maior parte dos textos reflete a luta das mulheres dentro dos diferentes movimentos sociais urbanos. O texto “O PAPEL HISTÓRICO DAS MULHERES NAS LUTAS TERRITORIAIS” de Irene Maestro, afirma ainda que as mulheres, sobretudo aquelas não brancas, estão na vanguarda das lutas territoriais: « Dos quilombos aos levantes e retomadas indígenas, passando pelas ocupações de terra no campo e na cidade, até às mães que lutam por justiça por terem a vida de seus filhos ceifadas pela polícia, podemos afirmar que as mulheres cumprem um papel fundamental nos territórios onde estão inseridas e que ajudam a organizar e mover, para que elas, seus filhos e sua comunidade possam ter melhores condições de vida ». 

A publicação é de grande relevância por constituir uma das poucas obras sobre o tema no contexto brasileiro. Nesse sentido, destaco a afirmação de Valéria Pinheiro, no texto “O PESO DA VIDA URBANA SOBRE OS OMBROS DAS MULHERES E A DIMENSÃO DOS DESPEJOS FORÇADOS”: « é impossível vislumbrar a diminuição das desigualdades socioterritoriais das cidades sem uma atuação incisiva nas questões de gênero ». Isto é, se levanta a importância deste debate para as lutas urbanas como um todo.

 

 

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