Defesa do mestrado “’As meninas entraram para ficar’- corpos, marcas e narrativas: história(s) e disputas da Casa Nem”

Que corpos podem circular livremente pela cidade? 
Representação e apresentação.
Morada, mural e manifesto.
Inserção e proteção.
Impressão, casca e reflexo.
Território e campo de batalha.
Corpo (Borges, 2018, p. 47).

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lançamento do livro “Lugar de Fala” de Djamila Ribeiro, na Casa Nem, 2017 (Mídia Ninja).

Mais uma pesquisa de pós-graduação sobre gênero e cidade. Segunda-feira próxima, dia 15 de outubro de 2018 as 8h00, acontecerá a defesa da dissertação de mestrado “’As meninas entraram para ficar’- corpos, marcas e narrativas: história(s) e disputas da Casa Nem”, de Luiza Barbosa, pelo Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR-UFRJ).
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“As primeiras a serem expulsas são as prostitutas”

Gabriela Leite, prostituta, escritora e fundadora do movimento social de defesa dos direitos das trabalhadoras do sexo no Brasil, afirma, em uma entrevista de 2006 na revista Caros Amigos, que as primeiras pessoas a serem expulsas por processos de intervenções/renovações urbanas são as prostitutas (LEITE, 2006). De forma recorrente, prostitutas são alvo de processos de remoção e “limpeza”. A eliminação da prostituição aparenta ser uma estratégia precursora de abertura de caminhos para processos de revalorização imobiliária, marcados pela chamada “gentrificação”, na qual a principal característica é uma nova injeção de capital na área e a decorrente substituição de seus moradores/usuários por outros de maior renda. Para isso se efetivar, a violência contra a presença das prostitutas é aliada a processos também violentos de desconstrução dos seus espaços de atuação, como demolições e “emparedamentos”.

“Pistas del Baile”: série de fotografias da artista mexicana Teresa Margolles que retratam prostitutas sobre os escombros da demolição de antigas boates e locais de prostituição nos quais trabalhavam em Ciudad Juárez , México: “Desde los años noventa, sucesivos gobiernos han intentado recuperar su centro histórico llevando a cabo una limpieza social y desplazando, entre otros, a las trabajadoras sexuales que se desenvuelven en la zona. Casas y negocios han sido cerrados y demolidos a lo largo de los años, entre ellos numerosos clubes nocturnos y discotecas, debido a la guerra entre carteles de droga, a decisiones gubernamentales y a la especulación inmobiliaria (Artishock, Jun 9, 2017)”

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