"The Subway", George Tooker, 1950. [Whitney Museum of American Ar/NPR]

Como começar? Já começamos!

O ano de 2017, foi emblemático na luta pelos direitos das mulheres no Brasil e no mundo, e o debate sobre o direito à cidade a partir de nossa perspectiva ganhou ainda mais relevo. Quando iniciamos nossas militâncias e pesquisas sobre esta problemática, a pergunta, “Como começar?” era quase uma ameaça.

Mas, felizmente, já começamos e cada vez mais assistimos e nos envolvemos em debates que têm se aprofundado no debate do urbanismo (e do planejamento urbano) com a perspectiva de gênero, não só entre arquitetas e urbanistas! Tem uma mulherada se empoderando nestas reflexões, muitas delas divulgadas aqui no blog.

O blog também cresceu em conjunto com o interesse cada vez mais maior nos temas relacionados ao estudos urbanos e as questões de gênero. Durante o ano de 2017 o número de acessos cresceu vertiginosamente, como podemos ver no gráfico abaixo, demonstrando como o debate vem ganhando corpo.

graficco

2018 também começa com alguns fatos instigantes como a carta de algumas francesas na qual dizem que “homens deveriam ser livres para flertar”, nos revela o quanto a construção sobre o feminismo em nosso cotidiano é fundamental, em especial nos espaços públicos e espaços de trabalho, onde estamos bastante vulneráveis ao assédio. Como Angela Davis clama lembrando o lema Ergendo-nos enquanto subimos, da Associação Nacional das Agremiações de Mulheres de Cor, ainda no século XIX nos EUA, é preciso sairmos de nossa posição de privilégio e estabelecer uma relação de solidariedade com grande parte das mulheres que não brancas, francesass e famosas. Muitas vivem o que recentemente a atriz Natalie Portman chamou de terrorismo sexual, iniciado através de cartas recebidas por homens, aos 13 anos de idade, que se diziam fãs após o lançamento de um filme que protagonizava. Nestas cartas, havia relatos de fantasias eróticas de estupro. Por isso, alterou seu comportamento e recusou convites de trabalho, construindo uma imagem mais conservadora e de nerd, para evitar a erotização de seu corpo nas telas. Talvez muitas devem ter experimentado durante um período e talvez outras tantas ainda vivam cotidianamente essa experiência. Dentro de casa, nas ruas, no ambiente de trabalho, no bar, na praia, na escola, na universidade, seja onde for em lugares que foram projetados formal ou informalmente que em nenhum momento leva em consideração como os espaços podem favorecer abordagens e silêncios. Como também não é pensado em espaços que favoreçam o conforto para nós mulheres para sermos quem quisermos ser: em termos de identidade, cultura, de sexualidade, geração, maternidade. Espaços historicamente pensados a partir da perspectiva masculina que quer “flertar”, assediar, violentar, sem mais incômodos.

O Instituto Pólis, por exemplo, iniciou este ano de 2018 com um pequeno vídeo/reflexão sobre gênero e cidade “As cidades são iguais para mulheres e homens?”:

***

Por isso, mantemos nosso blog ativo porque desejamos desnaturalizar esse processo que nos tenta nos aprisionar e nos enfraquecer. Mas juntas somos fortes! E assim vamos juntas mais uma vez nesse ano de 2018.

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