convite debate: MEGAEVENTOS E A INVISIBILIDADE DA PROBLEMÁTICA DE GÊNERO

Imagem

No dia 28/04/2014, das 14:00 – 16:00h, iremos realizar o debate “MEGAEVENTOS E A INVISIBILIDADE DA PROBLEMÁTICA DE GÊNERO” na “II Conferência Internacional Megaeventos e a Cidade” (http://megaeventos.ettern.ippur.ufrj.br).

Nossa sessão livre é aberta a todes participarem e apresentarem suas opiniões e relatos, não precisa estar inscrito na conferencia para participar. A ideia do debate é inclusive reunir depoimentos e impressões sobre as violações de gênero nas intervenções urbanas dos megaeventos. No debate estão confirmadas até agora: Indianara Siqueira (transgênera, puta, assessora parlamentar e VadiX da Marcha das Vadias do Rio de Janeiro), Rossana Brandão Tavares (PROURB/UFRJ), Rachel Barros (IESP/UFRJ) e Diana Helene (IPPUR/UFRJ).

28/04/2014, 14h, Sala:SL6

Clube de Engenharia
(a cinco minutos do metrô da Carioca)
Ed. Edison Passos
Centro, Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Imagem

Fonte: blog Fórum Comunitário do Porto- Foto: Edmilson de Lima/Favela em Foco

“SESSÃO LIVRE: MEGAEVENTOS E A INVISIBILIDADE DA PROBLEMÁTICA DE GÊNERO (SPORTS MEGA EVENTS AND THE INVISIBILITY OF GENDER)”

Desde o anúncio dos chamados Megaeventos Esportivos no Brasil, diversas denúncias de violações de direitos humanos têm sido feitas e divulgadas através do esforço de diversos grupos organizados, organizações, associações, fóruns, pesquisadores/as, coletivos de mídia, documentaristas, entre outros/as. Se tomarmos como exemplo o município do Rio de Janeiro, um dos mais impactados pelas ações do Estado, tem se utilizado o discurso “de preparar a cidade” para a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, como justificativa para o continuo processo de violação de direitos em diversas áreas da cidade. No entanto, atrás de um discurso dito universalista dos direitos humanos, ainda chamado em alguns países como direito dos homens (como é o caso da França, onde na ocasião da Revolução Francesa, adota a “Déclaration des Droits de l’Homme et du Citoyen”), que na verdade exclui as especificidades de diversas minorias de raça, sexualidade, classe e gênero. Assim destacamos a necessidade do reconhecimento da questão de gênero nesses debates, que tem tido pouca visibilidade quanto às denúncias e problemas específicos nas cidades-sedes. A Relatora da ONU para o Direito à Moradia Adequada, Raquel Rolnik, foi responsável pela elaboração de uma cartilha, lançada em 2012, chamada “Como fazer valer o direito das mulheres à moradia?” que está de acordo com os esforços da ONU do chamado gender mainstreaming desde a Conferencia das Mulheres em Pequim, 1995. Então, por que seria ainda preciso ressaltar os impactos sociais de gênero diante dos megaeventos esportivos?

Primeiro ponto importante a ser ressaltado é que gênero não é sinônimo de mulher. Política e socialmente, há uma diferença importante que pode parecer sutil, mas modifica as análise quanto às desigualdades sociais e violações de direitos. Outro aspecto relevante é que todos os relatos relacionados à problemática dos Megaeventos no país, quando se preocupam em evidenciar as mulheres, as enquadram como mães, responsáveis por seus filhos e filhas, que têm o seu direito à moradia violado, principalmente devido às remoções forçadas. Há um discurso ainda muito presente que reforça a naturalização do papel social das mulheres em nossa sociedade, vinculada à reprodução e ao cuidado com a família. As mulheres que não se enquadram nesse padrão sofrem de forma ainda mais violenta os impactos desse processo. Certamente, em áreas mais precárias das cidades brasileiras, sobretudo em favelas e periferias, é evidente o percentual elevado de mulheres que são as únicas responsáveis economicamente pela casa onde residem, principalmente em locais mais precários e vulneráveis juridicamente. O que as submete a um maior risco de expulsão de suas casas. Os dados mais recentes do IBGE 2010 revelam que em diversas favelas do Rio de Janeiro o percentual pode ultrapassar os 50% das residências recenseadas. Apesar disso, outros tipos de violação vêm acontecendo e não são focadas na maioria das pesquisas e denúncias. Diante deste diagnóstico, pretendemos problematizar o debate de gênero e o direito à cidade, levantando algumas análises e evidências que mostram os impactos em ocasião dos Megaeventos Esportivos.

Neste sentido, três eixos temáticos serão abordados durante a sessão livre: (ii) o projeto Morar Carioca nas favelas cariocas e a invisibilidade da questão de gênero; (ii) o processo de militarização das favelas sobre a vida das mulheres; (iii) a segregação e vulnerabilização daquelas que não se enquadram nos papéis relacionados à esfera doméstica designados às mulheres na cidade, como é o caso das prostitutas. O debate visa também levantar reflexões sobre a noção de gênero e o espaço urbano com vistas a contribuir para análises que buscam desnaturalizar o dito papel social das mulheres. Participarão desta sessão livre como debatedoras: Rachel Barros, socióloga, doutoranda do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IESP/UERJ), ativista do Fórum do Movimento Social de Manguinhos e feminista; Diana Helene, arquiteta e urbanista, doutoranda do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ) integrante do coletivo das Vadias de Campinas e feminista; e Rossana B. Tavares arquiteta e urbanista, doutoranda do Programa de Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROURB/UFRJ) e feminista. Porventura, outras pesquisadoras/es ou militantes podem se juntar ao debate da sessão livre proposta, uma vez que pretendemos também com esta atividade criar uma rede de pessoas que estão mobilizadas e engajadas na problemática de gênero e os megaeventos, a fim de ampliar cada vez mais a visibilidade sobre a questão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s